Três em cada quatro jovens não veem os sinais de violência no namoro

Hoje 15:41 — Daniela Arruda

Um estudo nacional sobre violência no namoro revela que 75% dos adolescentes, entre os 13 e os 18 anos, não consideram violência pelo menos um comportamento abusivo mencionado no estudo. Muitos jovens acham “normais” atitudes como controlar o/a parceiro/a, humilhar ou pressionar, o que significa que esses comportamentos são frequentemente legitimados pelos adolescentes. O que mostra que formas mais subtis de abuso ainda são vistas como aceitáveis na adolescência.O estudo, realizado no âmbito do projeto Art’Themis+ 2025, da UMAR, envolveu 6 732 jovens em Portugal, incluindo 1 128 dos Açores, de todas as ilhas exceto Santa Maria.Foram analisados 15 tipos de comportamentos violentos, que vão desde insultos e humilhações até controlo do parceiro, pressão para beijar ou atitudes de assédio nas redes sociais.Quando se olham os tipos de violência, percebe-se que as formas mais subtis são as que menos são reconhecidas como abuso: quase 64% dos jovens não consideram violência atos de controlo e perseguição, como querer saber constantemente onde está o/a parceiro/a ou limitar com quem pode falar. Cerca de 35% não percebem como violência comportamentos nas redes sociais, como mensagens de pressão, comentários controladores ou monitorização constante. Também 35% não identificam atos de violência sexual como problemáticos, o que evidencia que ainda existem dúvidas sobre consentimento e limites. A violência psicológica também é muitas vezes desvalorizada, com mais de 34% a não reconhecerem insultos, humilhações ou chantagens emocionais como violência.Já a violência física é mais facilmente identificada: apenas 8% dos jovens não a reconhecem, o que mostra que as agressões físicas são vistas como violência pela grande maioria.O estudo mostra ainda diferenças entre géneros: rapazes tendem a legitimar mais comportamentos agressivos. Por exemplo, 43% dos rapazes consideram aceitável pressionar alguém para beijar à frente dos amigos, enquanto apenas 24% das raparigas pensam o mesmo. Estes números mostram que as normas sociais e estereótipos de género ainda influenciam a perceção da violência no namoro.Em suma, embora a violência física seja clara para os jovens, formas subtis de abuso, como controlo, manipulação  ou assédio digital, continuam a ser vistas como normais. Assim, o estudo alerta que educar adolescentes sobre limites, respeito e relações saudáveis é essencial, para que aprendam a identificar comportamentos abusivos e a construir relações baseadas na igualdade.