Três dias de luto nacional em Espanha por "danos pessoais e materiais altíssimos" do mau tempo
30 de out. de 2024, 16:13
— Lusa/AO Online
O
executivo pediu ainda às populações das zonas afetadas pelo mau tempo
para não saírem de casa e, sobretudo, não tentarem circular pelas
estradas, sublinhando que o temporal ainda permanece e os seus efeitos
continuam a ser perigosos.O mau tempo
provocou uma "tremenda tragédia" em Espanha na última noite e madrugada,
com "danos pessoais altíssimos", mas "danos materiais também
altíssimos", disse o ministro da Política Territorial, Ángel Victor
Torres, numa conferência de imprensa em Madrid após uma reunião do
Comité de Crise criado pelo governo espanhol por causa do temporal.O
ministro indicou que há várias zonas afetadas que continuam
inacessíveis às esquipas de resgate que estão no terreno e que incluem
mais de mil militares de uma unidade de emergência para situações de
catástrofe.O Governo de Espanha confirmou
63 mortos, 62 na região autónoma da Comunidade Valenciana, a mais
afetada pelo temporal, e um na região vizinha de Castela La Mancha, e
disse não poder avançar neste momento números de pessoas consideradas
desaparecidas.Num balanço sobre a situação
das comunicações e das infraestruturas tuteladas pelo Estado central,
Ángel Victor Torres disse que o porto de Valência esteve encerrado, mas
já abriu, e há mais dois que permanecem encerrados na mesma região.Quanto
aos aeroportos, a situação está normalizada em toda a região do
Mediterrâneo, depois de perturbações em vários pontos do leste e do sul
de Espanha.Os comboios de alta velocidade
entre Madrid e Valência estão totalmente suspensos, assim como as linhas
suburbanas em Valência, com o ministro a dizer que a reposição se fará
"em função da evolução" do mau tempo e dos trabalhos no terreno.Todas as estradas principais estão cortadas na região autónoma da Comunidade Valenciana, afirmou.O
primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, garantiu hoje apoio a
todos os afetados pelo mau tempo no país e alertou também que "a
emergência continua", pedindo à população para extremar as precauções.Numa
declaração ao país ao final da manhã, a partir da sede do Governo
espanhol, em Madrid, Sánchez pediu à população para "não baixar a
guarda" porque o mau tempo "continua a causar estragos"."Ainda
não podemos dar por concluído este devastador episódio", realçou,
sublinhando que continuam sob avisos meteorológicos as regiões autónomas
da Comunidade Valenciana, Andaluzia, Aragão, Castela La Mancha,
Catalunha, Extremadura, Navarra e Rioja, assim como a cidade autónoma de
Ceuta.O líder do Governo insistiu também
na importância de serem seguidas e respeitadas todas as recomendações
dos serviços de emergência e das forças de segurança.Segundo
o primeiro-ministro, além dos mortos confirmados, há "dezenas de
municípios inundados, estradas e vias cortadas, pontes destruídas pela
violência das águas", sobretudo em Valência.Várias
regiões de Espanha estão desde terça-feira sob a influência de uma
"depressão isolada em níveis altos", um fenómeno meteorológico conhecido
como DANA em castelhano, que causou chuvas torrenciais e ocorrências em
diversos pontos do país, sobretudo na costa do Mediterrâneo.A
região mais afetada foi a Comunidade Valenciana, no leste do país, com
chuvas com níveis inéditos, que fizeram acionar os alertas e avisos mais
graves da proteção civil e da meteorologia na terça-feira à noite.Na
última noite, a precipitação na região de Valência foi a mais elevada
em 24 horas desde 11 de setembro de 1966, de acordo com dados oficiais.