Três dezenas de trabalhadores da cooperativa Praia Cultural aceitam rescisões por mútuo acordo
12 de abr. de 2023, 05:54
— Lusa/AO Online
“Tivemos o
cuidado de numa primeira fase dar a possibilidade de rescisão voluntária
por acordo mútuo, estipulando um prazo alargado mediante negociação com
os sindicatos e de forma a que os funcionários pudessem de forma
ponderada e livre tomar a melhor posição sobre o assunto. São 30 os
funcionários que o aceitaram, culminando assim a primeira fase do
processo, o que se traduz numa boa adesão”, adiantou a autarca Vânia
Ferreira (PSD/CDS-PP), citada em comunicado de imprensa.A
cooperativa Praia Cultural, inserida no grupo municipal da Praia da
Vitória, integra 165 trabalhadores com contrato sem termo e oito com
contrato a termo.Na sequência de uma
auditoria às contas do grupo municipal, que identificou um passivo de
33,2 milhões de euros, a autarca, que tomou posse em 2021, admitiu a
possibilidade de despedimentos na cooperativa.No
dia 10 de março, a presidente do município reuniu-se com sindicatos e
trabalhadores, apresentando as condições das rescisões por mútuo acordo,
que contemplavam uma indemnização de 35 dias, para os contratos
anteriores a 2011, e de 18 dias para os posteriores, além de dois
salários.Na altura, a autarca disse que o município só teria capacidade para absorver entre 80 a 100 trabalhadores da cooperativa.O prazo para comunicação da intenção de rescisão por mútuo acordo terminou na segunda-feira.Segundo
Vânia Ferreira, será agora feita uma “reavaliação e redistribuição dos
funcionários” para garantir as necessidades da atividade municipal, que
envolverá “um reajustamento interno do funcionamento autárquico”.“O
processo de reestruturação de recursos humanos passa pela integração na
Câmara Municipal da Praia da Vitória, considerando o nosso objetivo de
assegurar a continuidade da atividade municipal e garantindo aqueles que
são os serviços fulcrais”, afirmou.A
autarca disse que a reestruturação da cooperativa Praia Cultural foi
“uma situação delicada e extremamente difícil de lidar pelas
fragilidades inerentes a um processo desta natureza”, sublinhando que a
decisão “nunca foi tomada de ânimo leve ou sem considerar o valor e a
importância de cada um dos funcionários”.“Pretendemos
que o maior número de funcionários continue a contribuir para a
dinamização do concelho e esta é a nossa prioridade”, afirmou.Vânia
Ferreira garantiu ainda que continuará “a trabalhar em conjunto com os
sindicatos e funcionários”, com “ética e transparência”.No
dia 04 de abril, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da
Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e
afins (STAL) nos Açores criticou o processo de reestruturação da
cooperativa Praia da Cultural, acusando o município de não dar
informação suficiente aos trabalhadores.“Neste
momento, as dúvidas que surgem são bastantes: Quais os setores que
serão afetados e os que vão ser reduzidos? Qual o número de
trabalhadores nesses setores? Se os valores calculados da indemnização
estão ou não corretos? E a partir de quando, quem quiser, tem o seu
processo concluído?”, questionou, na altura, a coordenadora do
sindicato, Benvinda Borges, em conferência de imprensa.“Nota-se
medo e grande preocupação. Muitos deles são jovens, não há muitos
trabalhadores com idade para além dos 60 anos. Alguns contraíram
empréstimos para casa, outros têm crianças pequenas. É uma situação
muito complexa”, acrescentou.