Três de oito lotes de terreno da empresa Azores Park sem qualquer licitação
30 de out. de 2024, 18:10
— Lusa/AO Online
A
Azores Park - Sociedade de Desenvolvimento e Gestão de Parques
Empresariais, que está insolvente, viu licitados pelas cerca de 10
pessoas presentes num hotel de Ponta Delgada lotes acima e abaixo do
valor base de licitação.No caso das
licitações abaixo do preço base de licitação, as propostas são
posteriormente apreciadas pelo vendedor e depois comunicado a aceitação
ou não aos potenciais compradores.Rute
Monteiro, da empresa de leilões Leilosoc, explicou aos jornalistas que
apesar de alguns lotes não terem sido alvo de ofertas durante o leilão
podem surgir propostas posteriores a este ato, sendo que um novo leilão
pode ainda ter lugar.Os terrenos
beneficiam de isenção de Imposto Municipal sobre as Transmissões
Onerosas de Imóveis (IMT) e Imposto de Selo, ao abrigo do Código da
Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE).De
acordo com a empresa leiloeira, os terrenos rústicos estão
“distribuídos por oito lotes, com áreas totais entre 4.420 metros
quadrados e 6,5 hectares”.Os imóveis
possuem uma avaliação global de 935.595 euros (valor base total), com os
valores base individualizados (lote a lote) a começar em 16.000 euros”,
Os terrenos estão situados nas freguesias
de Rosto de Cão (São Roque) e Fajã de Baixo, no Parque Empresarial dos
Açores, em Ponta Delgada.A Azores Parque
era uma empresa municipal de Ponta Delgada que visava a promoção e o
desenvolvimento urbanístico imobiliário de parques empresariais.A
venda da empresa foi aprovada em Assembleia Municipal em novembro de
2018 e oficializada em março de 2019, altura em que a sociedade
comercial Alixir Capital comprou 102 mil ações, com um valor nominal de
cinco euros cada, perfazendo um total de 510 mil euros, mas que foram
adquiridas por 500 euros.Em oito meses, a
Azores Parque alienou vários imóveis por 705 mil euros, mas retirou todo
o dinheiro das contas bancárias antes de ser declarada insolvente.Em
maio de 2023, o ex-presidente do clube desportivo Santa Clara Rui
Cordeiro - que afirmou prestar serviços jurídicos à Azores Parque, mas
foi descrito como “gerente de facto” pelo Tribunal Judicial da Comarca
dos Açores - foi condenado por insolvência culposa da empresa.O
caso já tinha sido julgado, mas voltou aos tribunais em novembro de
2022 depois de o Tribunal da Relação de Lisboa ter decidido "julgar
procedente o recurso" interposto pela advogada de defesa de Carlos
Silveira, administrador de direito da Azores Parque e um dos dois
condenados no processo, determinando a citação de Rui Cordeiro e "a sua
afetação no incidente de insolvência culposa".Na
repetição do julgamento, Carlos Silveira e Khaled Saleh, também antigo
administrador da empresa e da SAD do Santa Clara, foram novamente
condenados por insolvência culposa.Já os
gestores públicos - entre eles José Manuel Bolieiro, atual chefe do
executivo dos açoriano e que à data dos factos, 2019, presidia à Câmara
Municipal de Ponta Delgada - foram ilibados.Em
outubro de 2024, Bolieiro, Maria José Duarte (antiga presidente do
município) e Humberto Melo (à data vice-presidente) foram absolvidos num
processo em que a massa insolvente pedia uma indemnização de perto de
seis milhões de euros, por violação do dever de diligência.