Treinador do Praiense defende “subida administrativa” no Campeonato de Portugal
Covid-19
7 de abr. de 2020, 14:56
— Lusa/AO Online
"Acreditamos
que haja da parte de quem vai ter a capacidade de decidir a
possibilidade de pensar, pelo menos, em não anularmos os campeonatos e
entregar àqueles que por mérito próprio estavam na frente do campeonato a
possibilidade de subida administrativa", afirmou Francisco Agatão à
agência Lusa. O técnico do Praiense
defende a "subida administrativa" ou dos quatro primeiros classificados
ou das oito equipas que se encontram em zona de acesso ao "play-off" de
promoção do campeonato de Portugal para a II Liga, o que representaria
um alargamento do número de equipas no segundo escalão do futebol
português. "Já houve anos que existiram alargamentos por motivos bem menores que este", frisou Agatão. A
proposta de Francisco Agatão é a mesma que um conjunto de dez clubes do
Campeonato de Portugal enviou à Federação Portuguesa de Futebol, que
não prevê descidas de divisões e que defende uma I Liga com 20 clubes
(subida dos primeiros classificados da II Liga) e uma II Liga com 28
equipas. O treinador do Praiense, líder da
série C do Campeonato de Portugal com 11 pontos de vantagem para o
segundo classificado (o Benfica de Castelo Branco), assinala que a
anulação da prova traria "prejuízos enormes para todos"."Sem
querermos de alguma forma revelarmos egoísmo desmesurado, não deixamos
de reconhecer que não contamos que a decisão seja a anulação do
campeonato. Isso seria cometer uma enorme injustiça", relevou Agatão. O
treinador da equipa açoriana defende que deve existir "alguma
condescendência" em relação aos clubes que "por mérito próprio" foram os
"mais regulares ao longo dos meses de trabalho", até porque "ninguém
tem culpa desta situação". O técnico de 59
anos avançou que não prevê ser possível retomar as provas esta
temporada devido à "forma com que a pandemia de instalou": "não vejo,
sinceramente, muitas probabilidades de acontecer". Referindo
que já estão a sentir as consequências económicas da suspensão dos
campeonatos, o treinador da formação terceirense lembrou que "nem todos
os profissionais do futebol têm os mesmos rendimentos". "Nós
vivemos disto. Esta é a nossa vida. É daqui que damos de comer à nossa
família e não havendo competição naturalmente ficará muito mais difícil
para resolver a questão financeira", apontou. Agatão
previu também uma redução dos "orçamentos que se praticaram até agora"
na elaboração dos plantéis, como uma das "repercussões sérias e graves"
da covid-19 no futebol.A 12 de março, a
Federação Portuguesa de Futebol, anunciou a suspensão por tempo
indeterminado das provas por si organizadas, devido à pandemia de
covid-19.