Transparência diz que PJ nunca comunicou recondução de Luís Neves como diretor nacional
Hoje 17:10
— Lusa/AO Online
Em
resposta à Lusa, a EpT explica que, nos termos da legislação em vigor,
os serviços administrativos das entidades onde os titulares de cargos
com obrigações declarativas exercem funções devem comunicar à entidade
responsável pela fiscalização “a data do início e da cessação das
correspondentes funções”.“Tal comunicação
nunca ocorreu”, afirma a EpT, o órgão independente que funciona junto do
Tribunal Constitucional (TC) e ao qual compete fiscalizar a declaração
única de rendimentos, património e interesses dos titulares de cargos
públicos.Este órgão salienta que, “apesar
da ausência de comunicação pelos serviços e a exiguidade dos recursos
humanos da Entidade para a Transparência”, “tenta identificar os casos
de incumprimento”.“Foi o que ocorreu na
situação em causa, confirmando a Entidade para a Transparência que
notificou o titular em maio de 2025”, acrescenta na resposta às
perguntas enviadas pela Lusa.A Entidade
para a Transparência ressalva que apenas a recondução de Luís Neves à
frente da PJ em 2024 recai no âmbito temporal da sua ação. Foi a única
nomeação do agora ministro da Administração Interna que ocorreu após a
entrada em funcionamento da plataforma eletrónica daquele organismo, em
março de 2024, sendo as declarações anteriores apresentadas em papel no
Tribunal Constitucional.Luís Neves exerceu três mandatos à frente da PJ, sendo nomeado pela primeira vez em 2018 e reconduzido em 2021 e 2024.Quanto
às consequência do incumprimento das obrigações declarativas, a
Entidade remeteu para o artigo 18.º e 18.ºA da lei que regula o
exercício de funções por titulares de cargos políticos e altos cargos
públicos. Segundo esses artigos, perante a
não apresentação de uma declaração, o titular deve ser notificado para a
entregar, estando a perda de mandato, demissão ou destituição judicial
prevista para que não a apresentar depois dessa notificação.O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou
que nunca tinha recebido qualquer notificação do Tribunal Constitucional
para apresentar declarações de rendimentos e que apenas em maio de 2025
foi informado de que deveria fazê-lo.Na
altura, relatou, toda a direção da PJ apresentou "um parecer junto da
Entidade para a Transparência" a defender que, por razões de segurança,
os dirigentes fossem excluídos dessa obrigação, o que foi rejeitado.