Transferências “não cobrem” todos os custos operacionais do maior hospital dos Açores
Hoje 09:20
— Lusa/AO Online
Numa
audição na comissão de Assuntos Sociais do parlamento do Açores, depois
de ter sido indigitado pelo Governo dos Açores para presidente do
conselho de administração do HDES, Carlos Lopes indicou que em 2024 o
défice do contrato-programa do executivo regional com o hospital público
era de 1,5 milhões de euros, tendo este valor sido agravado em 500 mil
euros em 2025.Contudo, referiu, foi feito um “reforço para pagamentos das dívidas a fornecedores”.Em
relação aos custos operacionais, há que “ter pelo menos alguma
contenção nas despesas ou ver com a tutela se os valores alocados para
2026 serão ou não suficientes”, acrescentou, já que está em causa a
valorização de carreiras este ano e outras despesas que “terão impacto
no orçamento”.Carlos Lopes, jurista de
profissão, disse ainda aos deputados que espera um “novo hospital com
brevidade”, na sequência das obras no HDES, o que implicará uma “reforma
do modelo interno de governação” do hospital de Ponta Delgada.Segundo
o responsável, a reforma do modelo terá os utentes como principal foco,
a par da “contenção e racionalização de determinadas áreas para a
melhoria da prestação assistencial” e da racionalização de custos, “sem
colocar em causa a qualidade assistencial”. A 4 de maio de 2024, o maior hospital dos Açores foi afetado por um
incêndio, que obrigou à transferência de todos os doentes para outras
unidades de saúde da região, da Madeira e do continente, tendo sido
construído um hospital junto ao edifício do HDES para assegurar a
resposta dos cuidados de saúde.Relativamente
à requalificação do bloco operatório “até que o novo esteja
concretizado”, Carlos Lopes especificou que são necessárias “obras mais
extensas”, melhorando a “capacidade de resposta” no curto prazo, “face à
pressão que existe atualmente”. O
administrador falou ainda da falta de anestesistas e do “número de camas
insuficientes”, salientando não ser correto olhar para a situação “de
forma segmentada”.Ainda de acordo com
Carlos Lopes, provavelmente em setembro será lançado o concurso público
para obras e aquisição de equipamento para o bloco hospitalar.Carlos
Lopes alertou, por outro lado, que as 391 camas do HDES são “hoje
manifestamente insuficientes” face às necessidades de um hospital que
cobre 57,4 % da população dos Açores.Sobre
o hospital modular, que surgiu como resposta ao incêndio, o responsável
indicou que os dados disponíveis revelam que a resposta da “atividade
assistencial é muito boa”, embora se verifiquem “alguns constrangimentos
por parte dos profissionais por ser diferente ao que estão habituados e
a alguma exiguidade de espaço”.Além
disso, acrescentou, registam-se alguns “problemas em dar resposta em
primeiras consultas para cirurgias”, embora a lista de inscritos para
cirurgia esteja “melhor do que em 2024”.