Transferências do Estado para freguesias deve ser equitativa
10 de nov. de 2025, 20:52
— AO Online/Lusa
“Aquilo que são as transferências do Estado
para as autarquias, do meu ponto de vista, não são verdadeiramente
equitativas. Ou seja, há municípios que, pela sua grandeza, têm um
conjunto de receitas que lhes permite desenvolver uma atividade muito
ativa e outros municípios, de menor dimensão, que têm muito mais
dificuldade em desenvolver isso”, disse Fernando Tinta Ferreira.O
responsável falava durante uma audição no grupo de trabalho criado pelo
parlamento açoriano para rever a Lei de Finanças Locais.Para
Fernando Tinta Ferreira, há que rever a legislação que define a
transferência de verbas e de competências do Estado para as autarquias
locais, para que se encontre um “modelo mais solidário” de
financiamento, que seja mais justo para todos.“Tem
de haver um modelo que seja mais solidário, que proporcione uma maior
equidade entre os municípios, de modo a que todos possam concretizar
adequadamente a sua função”, insistiu o presidente da FEFAL durante a
audição parlamentar.Fernando Ferreira
alertou também os deputados à Assembleia Legislativa dos Açores para os
constrangimentos financeiros das pequenas freguesias e para a
dependência que, muitas vezes, têm das boas relações com as câmaras
municipais onde estão inseridas.“Há muitas
freguesias que não têm, sequer, condições para contratar um
colaborador, para desenvolver um conjunto de trabalhos. Na maioria dos
casos, as coisas correm todas muito bem, entre as freguesias e as
câmaras municipais, mas aqui ou ali, há incompatibilidades entre as
freguesias e os respetivos municípios, e depois o processo de
transferência de competências e de verbas para as freguesias, pode
sofrer algumas complicações”, advertiu.A
presidente da Secção dos Açores do Tribunal de Contas (TdC), Cristina
Flora, também ouvida hoje pelos deputados, manifestou, por outro lado, a
sua preocupação com a prestação de contas das freguesias, que nem
sempre tem sido feita da forma mais correta.“Logo
a seguir a eu ter tomado posse, aqui na Secção Regional, nós tínhamos
116 contas que foram prestadas fora de prazo, das quais, 98 diziam
respeito a freguesias”, recordou a juíza conselheira, adiantando que a
“atitude pedagógica” do TdC permitiu regularizar, entretanto, muitas
situações de incumprimento.Cristina Flora
garantiu, porém, que a fase de pedagogia já terminou e que a Secção dos
Açores do Tribunal de Contas já está a aplicar multas aos infratores:
“no primeiro ano, eu dispensei as multas praticamente todas, advertindo
que não podiam continuar a não cumprir o prazo, e a verdade é que
diminuíram muito dos incumprimentos. Mas, no ano seguinte, já tive de
aplicar multas e já não desculpei”.O
parlamento açoriano criou, este ano, um grupo de trabalho para propor
uma revisão da Lei de Finanças Locais, com o objetivo de reforçar a
autonomia financeira dos municípios dos Açores.“O
principal objetivo é fortalecer a autonomia financeira das autarquias
locais nos Açores, alinhando-a com os princípios constitucionais da
autonomia e do financiamento adequado para o exercício das suas
competências”, pode ler-se na proposta aprovada, por unanimidade, na
Assembleia Legislativa dos Açores.