Tráfego aéreo nacional atinge recorde em 2025 e atrasos caem 18%
Hoje 11:57
— Lusa/AO Online
Em entrevista
à Lusa, Pedro Ângelo explicou que a melhoria nos atrasos resulta de
investimentos tecnológicos e ajustes operacionais e que a tendência de
crescimento do tráfego deverá manter-se nos próximos anos.“Em
2025 registámos, uma vez mais, um recorde em termos do número de
movimentos de tráfego aéreo nas duas regiões de informação de voo que
estão sob responsabilidade da NAV Portugal”, afirmou o presidente do
Conselho de Administração da empresa responsável pela gestão do tráfego
aéreo em Portugal.Segundo o responsável,
foram contabilizados 963 mil movimentos ao longo do ano, “o que
representa um acréscimo de 5% face a 2024”.O
crescimento verificou-se nas regiões de informação de voo (FIR) de
Lisboa e de Santa Maria, que incluem os voos com origem ou destino em
aeroportos portugueses e os sobrevoos do espaço aéreo sob
responsabilidade nacional, incluindo o Atlântico.Apesar
da pressão acrescida sobre o sistema, os indicadores operacionais
registaram melhorias, sobretudo ao nível dos atrasos associados ao
controlo de tráfego aéreo.“Foi possível,
ainda que com este crescimento de tráfego verificado, uma redução muito
expressiva no número de atrasos, na ordem dos 18%, considerando a
vertente do controlo de tráfego aéreo prestado em rota e terminal”,
disse.Pedro Ângelo sublinhou que o
desempenho nacional se mantém competitivo no contexto europeu e que os
resultados refletem o reforço de meios humanos, a reorganização interna e
melhorias operacionais implementadas nos últimos anos.O
responsável acrescentou que a NAV está a preparar uma profunda
reorganização do espaço aéreo português, que classificou como “a maior
alteração do espaço aéreo” prevista para os próximos anos, através da
criação de novos setores de controlo em rota para responder ao
crescimento do tráfego.Entre as medidas
que contribuíram para a melhoria está a consolidação de sistemas
tecnológicos e procedimentos de gestão do tráfego, incluindo o sistema
de sequenciação de chegadas, conhecido como ‘point merge system’, que
permite organizar de forma mais eficiente a aproximação das aeronaves ao
aeroporto de Lisboa.Ainda assim, o
responsável reconhece que o crescimento do tráfego continuará a colocar
desafios operacionais, sobretudo num contexto em que o principal
aeroporto do país opera próximo da capacidade.“O aeroporto de Lisboa funciona com uma única pista e isso, de facto, inviabiliza ter um melhor desempenho”, afirmou.Apesar dessas limitações, a NAV espera que a tendência de crescimento se mantenha.“Essa
é a nossa expectativa. Aquilo que temos assistido nos últimos anos é
que temos conseguido sempre superar aquilo que é a previsão por parte do
gabinete de estatística do Eurocontrol”, disse.