Trabalhistas britânicos lamentam “confusão” criada por plano de fim do confinamento
Covid-19
11 de mai. de 2020, 16:58
— Lusa/AO Online
“O que o país precisa nesta altura é clareza e
confiança e por enquanto ambas escasseiam. No centro do problema está o
primeiro-ministro ter feito uma declaração ontem [domingo] à noite,
antes de o plano estar escrito ou pelo menos finalizado, e isso causou
confusão considerável”, afirmou no parlamento o líder do principal
partido da oposição. Starmer respondia à
apresentação por Boris Johnson, gravada antecipadamente e transmitida na
televisão no domingo, do documento em que são detalhadas as orientações
do governo para o alívio do regime de confinamento em vigor no Reino
Unido há sete semanas, desde 23 de março. O
líder trabalhista chamou a atenção para a disparidade entre aquilo que o
primeiro-ministro disse e o conteúdo do documento de 50 páginas
divulgado esta tarde, nomeadamente quando podem regressar à atividade os
empregados que não podem trabalhar de casa e se a quarentena as pessoas
que cheguem do estrangeiro se vai aplicar só ao transporte aéreo ou
também ao marítimo. Starmer levantou
também dúvidas sobre quais são as diretivas para a segurança no trabalho
e nos transportes públicos, e se estas foram acordadas com empresas e
sindicados.“Há muitas perguntas mas até agora muito poucas respostas”, disse.Boris
Johnson reconheceu que ao "sair de uma mensagem que é tão simples, como
'ficar em casa', vão surgir complexidades”, mas que o que o governo
quer dizer agora é que as pessoas devem "ficar em casa se puderem, mas
vão trabalhar se precisarem”. O chefe do
executivo britânico disse esperar que os empregadores usem “senso comum”
e compreendam que “se as pessoas não puderem trabalhar porque não têm
quem tome conta da criança [porque as escolas continuam fechadas], então
estão impedidas de trabalhar e têm de ser protegidas”. Boris
Johnson também espera que também as pessoas usem o “senso comum” ao
interpretar as novas diretivas do governo ao permitir viagens longas de
automóvel para espaços abertos longe de casa e continuem a respeitar as
medidas de distanciamento social.O plano
apresentado pelo governo pretende um levantamento faseado do regime de
confinamento, que vai deixar de ter como mensagem central “fique em
casa” para passar a ser usado “fique alerta”. Esta
alteração só se aplica a Inglaterra pois foi rejeitada pelos governos
autónomos da Escócia e País de Gales por considerarem que o nível de
risco de contágio continua elevado.