Trabalhadores portugueses ao serviço dos EUA na Base das Lajes sem salário atualizado
9 de out. de 2025, 17:53
— Lusa/AO Online
A Comissão
Representativa Trabalhadores das Forças dos Estados Unidos Estacionadas
nos Açores, liderada por Paula Terra, denuncia a “grave situação
laboral, marcada pela falta de aumento salarial, paralisação da comissão
laboral e incerteza sobre o futuro dos trabalhadores temporários”.Em
nota de imprensa, a Comissão Representativa considera que esta situação
“coloca em risco o bom funcionamento da base e as relações bilaterais”.Portugal
e os Estados Unidos possuem um acordo bilateral de defesa e cooperação
que permite aos norte-americanos usufruírem de facilidades militares na
Base das Lajes, onde trabalha um efetivo civil português.“Na
qualidade de representante dos trabalhadores, manifestamos publicamente
a nossa profunda preocupação pela ausência de reuniões da Comissão
Laboral e da Comissão Bilateral previstas no âmbito do Acordo da Base
das Lajes, estruturas estas com responsabilidades fundamentais na
resolução de matérias laborais e diplomáticas entre Portugal e os
Estados Unidos da América”, afirmam os representantes dos trabalhadores.Os
representantes dos trabalhadores referem que deveria ter tido lugar uma
reunião da comissão laboral, “agendada e não realizada em 29 de
setembro de 2025”, onde a “falta de atualização salarial dos
trabalhadores” era um dos temas.De acordo
com a Comissão Representativa, “pela primeira vez em vários anos, os
mais de 420 trabalhadores em regime permanente não receberam qualquer
aumento”, o que, “face à inflação e ao aumento generalizado do custo de
vida, representa uma perda real de poder de compra”.O
aumento “não implica qualquer custo para o governo português, uma vez
que é totalmente suportado pela parte norte-americana”, segundo os
trabalhadores, que apontam o “crescente descontentamento e insegurança".A
situação dos empregados temporários “continua igualmente preocupante”,
uma vez que, ao longo de 2025, “vários contratos não foram renovados e
os restantes colaboradores com vínculos até maio de 2026 já receberam
notificação formal do termo de cessação de contrato, sem perspetiva de
continuidade”.Os trabalhadores apelam à
“retoma imediata das reuniões da Comissão Laboral e da Comissão
Bilateral, de forma a garantir o respeito pelos direitos dos
trabalhadores e a reposição de um clima de confiança e estabilidade
laboral na base das Lajes”.