Trabalhadores dos CTT cumprem hoje o primeiro de três dias de greve
30 de nov. de 2020, 11:54
— Lusa/AO Online
Em declarações à Lusa, no dia 17 de novembro, o
secretário geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e
Telecomunicações (SNTCT), Vitor Narciso, disse que a greve deverá ter
“um grande impacto no atendimento e no tratamento e distribuição de
correspondência, mas é essa a intenção, para que a empresa perceba a
indignação dos trabalhadores e a opinião pública perceba o que se passa
nos CTT”.De acordo com o sindicalista, o
objetivo é que “seja reposta a normalidade nos CTT em termos de
contratação coletiva e de qualidade do serviço público que é prestado à
população, que é cada vez pior, com os atrasos a aumentar na
distribuição de correspondência”.Vitor
Narciso lembrou ainda que o processo negocial se arrastou desde o início
do ano e acabou sem qualquer acordo, já em fase de conciliação do
Ministério do Trabalho, com a empresa a alegar falta de liquidez para os
aumentos salariais.“A empresa disse que
não tinha dinheiro, mas pouco depois distribuiu prémios, com critérios
subjetivos, e antecipou o pagamento do subsídio de Natal, parece que o
problema não seria a alegada falta de liquidez, mas sim a falta de
vontade de aumentar os salários”, afirmou, na altura.Na
passada sexta-feira, em comunicado, a Associação Nacional dos Chefes de
Estação dos Correios (ANCEC) manifestou a sua total discordância e
incompreensão em relação à greve geral convocada considerando-a
“totalmente inoportuna” e que “em nada vem contribuir para a união dos
profissionais dos CTT”.A Associação
Nacional de Responsáveis de Distribuição (ANRED), por seu turno,
considerou que a paralisação “mais uma vez, tem na sua base motivações
estritamente ideológicas e políticas” e referiu que, nas atuais
condições, é “oportunista e lesiva dos interesses dos trabalhadores”.Ambas
as estruturas manifestaram surpresa e incompreensão em relação ao
agendamento da greve geral, tendo em conta a atual conjuntura do país.Os
CTT já tinham condenado a greve devido à data escolhida, garantindo que
não faltam colaboradores no quadro e que vão ser pagos prémios aos
trabalhadores.Num comunicado divulgado no
dia 19 de novembro, os Correios vincaram que os compromissos com os
trabalhadores têm sido assegurados, sublinhando que, perante a covid-19,
não recorreram ao regime de ‘lay-off’, comparticiparam a vacina contra a
gripe e anteciparam o pagamento do subsídio de Natal e dos prémios
extraordinários. Para os CTT, questionar a
atribuição de prémios e a antecipação do subsídio “é de uma enorme
insensatez”, ressalvando, no entanto, que este custo “em nada é
comparável com o impacto que um aumento salarial teria nos resultados da
empresa”. Os Correios lembraram também
que, anualmente, já estão salvaguardadas a diuturnidades e progressões
de carreira, tendo o incremento sido, em média, de 4% nos últimos três
anos. Adicionalmente, referiram que os
resultados da empresa estão a ser “fortemente” impactados pela pandemia e
que o crescimento do tráfego de encomendas não compensa a descida do
negócio correio, acrescentando que, à semelhança do que aconteceu
noutros setores, houve um “incremento considerável” de custos para
proteger os trabalhadores face ao novo coronavírus.Os
CTT rejeitam também as acusações de que faltam trabalhadores no quadro e
de que a prestação do serviço postal universal não cumpre os padrões de
qualidade, notando que sempre cumpriram o indicador geral de qualidade
até que, em 2018, “a dois anos do fim do contrato de concessão”, a
Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) “decidiu alterar os
critérios”. A greve dos CTT abrange a distribuição postal e a rede de atendimento.