Trabalhadores dos Açores manifestam-se contra propostas de alteração à legislação laboral
29 de set. de 2025, 14:31
— Lusa/AO Online
“Os Açores são a região mais pobre do país,
com os salários mais baixos do país, onde se praticam as piores
condições de trabalho do país. Se esta legislação vai ser negativa e vai
ter efeitos nefastos a nível nacional, vai ser muito mais grave em
relação aos Açores”, afirmou o coordenador da União de Sindicatos de
Angra do Heroísmo, afeta à CGTP-IN, Vítor Silva.O
dirigente sindical falava, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira,
depois de ter entregado no gabinete do representante da República para
os Açores uma resolução aprovada, minutos antes, num encontro sindical,
contra as propostas de alteração à legislação laboral.Segundo
Vítor Silva, apesar de já existirem várias iniciativas de protesto a
nível nacional, os trabalhadores dos Açores sentiram “obrigação” de
também se pronunciarem contra o que consideram ser um “retrocesso de
direitos laborais”.“Faz todo o sentido que
demos informação e sensibilizemos os nossos delegados e os nossos
dirigentes sindicais para que eles possam junto dos colegas de trabalho
prestar os devidos esclarecimentos e fazê-los perceber que todos temos
de unir esforços e lutar contra este pacote laboral”, apontou.Longe
de Lisboa, os trabalhadores açorianos optaram por entregar uma
resolução ao representante da República para os Açores, para que Pedro
Catarino "possa fazer chegar ao Governo da República que, também nos
Açores, os trabalhadores estão contra este pacote laboral”.Além
disso, foi marcada para hoje uma greve em creches, jardins de infância e
ateliês de tempos livres de instituições de solidariedade social e
estão previstas greves noutros setores.“O
nosso objetivo é alargar estas greves a mais setores de atividade no
privado para que os trabalhadores possam também juntar-se às nossas
lutas e contribuir com a sua presença para derrubar este pacote laboral
que será um retrocesso enorme nos direitos dos trabalhadores”, vincou o
dirigente sindical.Questionado sobre a
adesão à greve marcada para hoje, Vítor Silva disse ainda não ter
números, mas salientou que várias instituições encerraram e que “grande
parte das pessoas que participaram no encontro sindical eram
trabalhadores deste setor”.O coordenador
da USAH disse estar convencido de que a maioria dos trabalhadores ainda
não se apercebeu do que está em causa com as alterações propostas pelo
Governo da República.“É muito importante
que os sindicatos façam este papel de informação, sensibilização, que
vão para os locais de trabalho dizer o que está em causa para as pessoas
perceberem. Quando nós explicamos, toda a gente fica realmente muito
preocupada”, revelou.Vítor Silva defendeu
que o pacote de mais de 100 medidas proposto pelo Governo da República
não tem “uma única favorável aos trabalhadores” e alertou que vai
“desregular completamente as relações de trabalho”.“Este
pacote não é para ser trabalhador, é quase para ser escravo e este
tempo da escravatura já foi abolido há muito tempo”, sublinhou.No
documento entregue, a União de Sindicatos de Angra do Heroísmo
apresentou ainda propostas de melhoria das condições laborais dos
trabalhadores, como a redução do horário de trabalho para as 35 horas
semanais, o aumento dos salários, o princípio do tratamento mais
favorável e o fim da caducidade dos contratos coletivos de trabalho.“O
crescimento que tem havido do ponto de vista económico em alguns
setores, como o turismo, o comércio ou a restauração, não se tem
traduzido a favor de quem trabalha”, salientou o dirigente sindical,
acrescentando que “estes setores têm condições para pagarem melhor aos
trabalhadores”.