Trabalhadores do setor social dos Açores em greve no final de outubro

Hoje 15:05 — Lusa/AO Online

Paulo Mota, do SINDESCOM - Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços, disse aos jornalistas, no âmbito de um plenário em Ponta Delgada, que a paralisação “é um sinal claro que a paciência dos trabalhadores chegou ao limite”.O sindicalista considerou que “não é aceitável exigir cada vez mais desses trabalhadores sem garantir salários dignos, melhores condições de trabalho e o reconhecimento que merecem”.Paulo Mota defendeu que as instituições e o Governo dos Açores “devem assumir as suas responsabilidades e encontrar uma solução concreta”, sendo que a greve “é uma forma legítima de dizer basta”, uma vez que “o ano está a findar e há que haver uma resposta”.Orlando Esteves, do SINTAP/Açores - Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos, declarou, por seu turno, que as reivindicações datam de 30 de dezembro de 2025.Além do aumento de 52,50 euros no salário, as reivindicações contemplam uma atualização do subsídio de refeição, das diuturnidades, a par da diminuição gradual da carga laboral de 39 para 35 horas semanais.O sindicalista disse esperar que “haja vontade da parte patronal e política”, sendo que outra das razões da greve é uma “aproximação dos técnicos superiores à administração pública”, uma vez que “há uma disparidade muito grande entre esses técnicos, que fazem a mesma coisa nas instituições e que têm um diferencial de 400 a 500 euros no vencimento”.Orlando Esteves considerou que “com as instituições que se negociou, e também a nível político, não se vê vontade”, sendo que o estudo da Norma Açores, encomendando pelo Governo Regional para apurar o custo real das respostas sociais das instituições, ainda está por concluir.“A URMA - União Regional das Misericórdias dos Açores e a USIPSSA - União Regional das Instituições Particulares de Solidariedade Social dos Açores, não negoceiam connosco porque esse estudo não está feito (…). Quem está a pagar a fatura são os trabalhadores”, afirmou o sindicalista.Orlando Esteves adiantou que “não se sabe o que vai caber às instituições na atualização do valor padrão no protocolo” do Governo da República que estabelece os valores a transferir para as IPSS e misericórdias.De acordo com informações das IPSS e misericórdias, do valor a transferir, em 2025, o Governo “já fez uma transferência, mas não abrangeu todas as valências”, enquanto em 2026 “ainda não fizeram nada”.Orlando Esteves defendeu que o Governo dos Açores “tem de fazer mais e ser mais ativo” junto do Governo para se proceder às transferências para as IPSS e Misericórdias.“Pela informação que temos das IPSS e misericórdias, se vierem os quatro milhões de euros, o assunto está resolvido”, frisou, para ressalvar “que este dinheiro não pode ficar em Lisboa”, temendo-se pelo subsídio de Natal de 2026.