Trabalhadores do INEM rejeitam mudança de instalações para Oeiras e exigem transparência
Hoje 17:35
— Lusa/AO Online
A
Assembleia Geral da Comissão de Trabalhadores (CT) do Instituto
Nacional de Emergência Médica (INEM) reuniu hoje para analisar a
proposta do Conselho Diretivo e decidiu, por larga maioria, “rejeitar
liminarmente a mudança” e exigir transparência junto do Conselho
Diretivo e da tutela, disse à agência Lusa o coordenador da estrutura.Rui
Gonçalves afirmou que “há uma opacidade incompreensível” neste
processo, acrescentando: “A Administração Pública deve-se reger pelo
princípio da transparência, que não é o caso”.“Infelizmente,
durante este último mês, o Conselho Diretivo recusou-se
sistematicamente a prestar informações, nomeadamente impactos
orçamentais, impactos na vida das pessoas com a deslocação, quais são
medidas de mitigação e se foram estudados outros locais”, sublinhou.Em
fevereiro, o presidente do INEM comunicou aos trabalhadores a intenção
de transferir todos os serviços do instituto localizados em Lisboa para
Oeiras, permitindo uma maior proximidade ao centro da PSP que opera o
número de emergência 112.Luís Mendes
Cabral alegou que as atuais instalações do INEM na capital, que acolhem a
sede e um dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU),
deixaram há vários anos de “garantir o espaço, a qualidade e as
condições necessárias” para um elevado desempenho das suas funções.Após
a assembleia geral de hoje, o coordenador alertou que há trabalhadores
que já disseram não ter capacidade financeira para suportar uma mudança
para o ‘Tagus Park’, em Oeiras, e que terão de abandonar o instituto.No
parecer dirigido ao conselho diretivo, a que a Lusa teve acesso, a CT
alerta para o “risco operacional” que deriva de 60 trabalhadores
equacionarem sair do INEM, se a mudança de instalações se concretizar.“Isto
configura um risco sério e imediato de agravamento da incapacidade
operacional e de resposta — nos meios, no CODU e nos serviços centrais —
pela eventual perda de profissionais qualificados em áreas críticas”,
avisa a estrutura representativa do instituto no documento.“Não
é aceitável que se faça esta mudança cega sem avaliar este impacto”,
lamentou ainda Rui Gonçalves, referindo que a CT fez um levantamento
antes da assembleia geral para avaliar os impactos desta mudança,
analisando os concelhos onde os trabalhadores vivem e o tempo que
demoram atualmente a chegar ao INEM, em Lisboa.“Há
pessoas que hoje demoram uma hora e vinte a chegar ao INEM em Lisboa;
mudando para Oeiras, o trajeto passa a duas horas e meia. Cinco horas de
deslocação diária é incomportável”, salientou.Além
disso, relatou haver trabalhadores com filhos menores que só conseguem
deixá-los na creche ou na escola a partir das 07:30, em Lisboa, onde têm
a sua vida organizada. Deixar os filhos a essa hora “é incompatível”
com a necessidade de chegar às 08:00 a Oeiras, alegou.Rui
Gonçalves comparou a situação com a transferência do Serviço de
Estrangeiro e Fronteiras (SEF) para o Tagus Park, que resultou “num
êxodo muito significativo” de trabalhadores e na “falência do próprio
serviço”, alertando que o mesmo risco pode afetar o INEM, comprometendo
tanto o serviço operacional como os serviços administrativos e centrais.“Parece
que estão a querer fazer [o mesmo] com o INEM, ao deslocá-lo para
Oeiras, provocando nos trabalhadores este desconforto e esta
impossibilidade de continuarem a trabalhar no instituto, parece que se
tenta colapsar o próprio INEM nas suas próprias fundações, o que nos
parece também de todo inaceitável”, criticou.A
Comissão de Trabalhadores não descarta ações de protesto, incluindo
vigílias à porta do INEM e apoio a uma eventual greve convocada pelos
sindicatos.“Vamos aguardar nos próximos
dias para ver se há alguma reação, algum ‘feedback’, alguma negociação
ou explicação. Caso contrário, poderemos ter de recorrer a outras formas
de luta (…) em defesa não só dos trabalhadores, mas também da
continuidade dos serviços do próprio instituto", disse.