Trabalhadores de programas ocupacionais dos Açores reivindicam prorrogação de contratos
22 de set. de 2022, 11:36
— Lusa/AO Online
Os manifestantes foram
recebidos pelo presidente do Governo dos Açores, que se manifestou
sensível para o problema e remeteu para uma reunião com a secretária
regional da Educação e Assuntos Culturais, a decorrer ainda hoje.O
sindicalista Heitor Amaral, assistente operacional de uma escola no
concelho da Ribeira Grande e um dos promotores da concentração, declarou
à Lusa que a secretária regional da Educação e Assuntos Culturais
“mentiu porque disse que ia prorrogar os programas ocupacionais”, cuja
falta de pessoal “se faz sentir de forma particular nas escolas”. Heitor
Amaral aponta que “não há higiene e segurança nas escolas, ninguém para
cuidar das crianças no recreio”, sendo que, “numa altura em que já
faltavam funcionários, estes foram sendo retirados pouco a pouco”.A
concentração contou com a presença de várias dezenas de trabalhadores
de programas ocupacionais, ostentando cartazes a reivindicar emprego.O
sindicalista salvaguarda que “muitos colegas estavam disponíveis para
se concentrarem na presidência do Governo dos Açores e não o fizeram por
razões laborais, por forma a não penalizarem as escolas e os alunos”.“O
que se está a passar nas escolas é gravíssimo. A secretária tem que
tomar a atitude de colocar mais pessoal nas escolas”, refere Heitor
Amaral, que ressalva que os trabalhadores dos programas ocupacionais só
querem "ver os seus contratos prorrogados, trabalhar com dignidade e não
beneficiar de apoios sociais”.Na nota
enviada para os órgãos de comunicação social, aponta-se as “inverdades
proferidas pela senhora secretária regional da Educação e Assuntos
Culturais no que concerne à prorrogação dos programas ocupacionais até à
conclusão dos concursos para a integração dos assistentes operacionais
nas escolas”. Uma primeira manifestação
dos trabalhadores de programas ocupacionais e estágios já tinha tido
lugar no mesmo local em maio, sendo que, em julho, uma petição com 515
assinaturas pedia ao Governo dos Açores que garantisse a estabilidade
laboral dos trabalhadores em programas ocupacionais nas escolas da
região, por forma a assegurar um regular início do ano letivo.Estes
trabalhadores consideram que, apesar da "manifestação pública e de
terem entregado as suas reivindicações ao presidente do Governo, nada
aconteceu e contribuiu para a saída de muitos trabalhadores".Segundo
alegam, estes recursos humanos, ao abrigo de programas ocupacionais,
"são extremamente necessários para o funcionamento das escolas".Reconhecendo
que "a falta de pessoal não docente é uma situação que se tem vindo a
agravar nos últimos tempos, e que foi colmatada nos últimos anos com o
recurso a trabalhadores ao abrigo de programas ocupacionais e estágios",
os profissionais reivindicam "estabilidade e justiça laboral".A 29 de junho, a Secretaria Regional da Educação determinou a prorrogação
extraordinária de 232 contratos feitos com desempregados ao abrigo de
programas ocupacionais nas escolas dos Açores, uma medida "essencial
para o funcionamento regular" dos estabelecimentos de ensino.