Trabalhadores de museus e monumentos nacionais voltam à greve por compensação em feriados
1 de out. de 2025, 15:53
— Lusa/AO Online
Os trabalhadores de portaria e vigilância dos
38 equipamentos tutelados pela empresa pública Museus e Monumentos de
Portugal (MMP) regressarão à greve no quadro da paralisação em dias
feriados que tem decorrido ao longo do ano, convocada pela Federação
Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais
(FNSTFPS).As greves em dias feriados têm encerrado vários museus e monumentos pelo país, incluindo alguns dos mais visitados em Portugal.Contactado
pela agência Lusa, Orlando Almeida, dirigente da FNSTFPS, recordou que,
"desde a última reunião com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto
[Margarida Balseiro Lopes], e com o conselho de administração da MMP a
15 de julho, não surgiu nenhuma proposta para ser analisada pelos
trabalhadores"."Continuamos à espera da
resolução de um problema que apresentámos à tutela há mais de um ano",
disse o dirigente, comentando que, depois da reunião com a ministra
"surgiu alguma esperança de uma proposta a curto prazo, mas ainda não
aconteceu".Contactada pela agência Lusa
por ‘e-mail’ sobre esta greve, a direção de comunicação da empresa
pública MMP respondeu:" Nesta fase não temos mais comentários sobre o
processo, continuando a trabalhar e em diálogo próximo".Os
trabalhadores dos museus, monumentos e sítios arqueológicos geridos
pela MMP exigem a “justa compensação” do trabalho prestado em dias
feriados e também do trabalho suplementar, que consideram ser
insuficientemente pago, e só até duas horas suplementares, embora por
vezes tenham de trabalhar mais do que esse tempo no total, sustentam.Num
comunicado divulgado antes da última greve, em 15 de agosto, a FNSTFPS
referia que, “em 2024, os 38 equipamentos da Museus e Monumentos de
Portugal tiveram uma receita de bilheteira de 21.217.432,00 de euros”,
obtida com “o turismo e as visitas de estudo organizadas pelas escolas,
confirmando o papel central do património na cultura”.“Há
anos que este problema se arrasta, sem que os sucessivos governos do
PSD e do PS, com ou sem CDS, tenham tomado uma decisão no sentido de
valorizar o trabalho prestado em dias feriado”, argumentavam ainda, no
comunicado.Nos 38 museus, monumentos e
palácios nacionais geridos pela MMP, entre os quais o Palácio Nacional
de Mafra, o Mosteiro dos Jerónimos e Torre de Belém (Lisboa) e o
Convento de Cristo (Tomar), trabalham cerca de mil funcionários,
estimou, em abril, o dirigente sindical Orlando Almeida.Num
texto partilhado no seu ‘site’ a propósito da greve, a MMP tem alertado
para possíveis “perturbações no acesso aos museus e monumentos” sob
gestão da empresa pública e lembrava que os bilhetes já comprados
poderão ser trocados ou reembolsados através de pedido para a
Blueticket.“Lamentamos os transtornos causados e agradecemos a compreensão”, escrevia a MMP.