Trabalhadores de empresa municipal da Praia da Vitória acusam administração de correção de salários ilegal
24 de jul. de 2025, 16:51
— Lusa/AO Online
A
greve de um dia na empresa responsável pelo abastecimento de água e
recolha de resíduos no concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira,
foi anunciada a 11 de julho pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores
da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e
Afins (STAL).Em causa estava o facto de quatro trabalhadores terem recebido aumentos salariais superiores aos acordados com os restantes.O
conselho de administração da empresa alegou tratar-se de um erro e
garantiu que a situação seria corrigida, tendo assinado um acordo
coletivo de trabalho com o Sindicato dos Trabalhadores da Administração
Pública e de Entidades com Fins Públicos (Sintap), dias após o anúncio
de greve.Em conferência de imprensa, a
dirigente do STAL/Açores Benvinda Borges disse que esse argumento
“não corresponde minimamente à verdade”, porque “houve uma manifestação
de vontade consciente e expressa”, em aditamentos aos contratos
assinados pelos administradores da empresa e pelos trabalhadores.Benvinda
Borges contestou também a solução encontrada pela administração para
assegurar a equidade no tratamento dos trabalhadores.“A
Inspeção Regional de Trabalho entendeu que os aumentos salariais se
encontram em conformidade com a lei e que a atuação da Praia Ambiente,
ao notificar os trabalhadores, para, no prazo legal de 90 dias,
efetuarem a devolução dos aumentos salariais, é ilegal, por carecer de
fundamento legal”, afirmou.O STAL tinha
chegado a acordo com a empresa no início do ano, mas ainda não tinha
assinado o novo contrato coletivo de trabalho e, face aos aumentos
atribuídos aos quatro trabalhadores, decidiu retomar as negociações.“Temos
novas reivindicações, porque na verdade vimos que havia dinheiro. O
administrador executivo [anterior] ao ir-se embora reuniu-se com os
trabalhadores e disse que deixava 200 mil euros. A câmara municipal há
dias dizia que tinha 800 mil euros”, justificou Benvinda Borges.Na
segunda-feira, o sindicato voltou a reunir-se com a administração da
empresa, mas disse que “não houve vontade de negociar” e que, em algumas
medidas, o que agora é proposto é pior do que o acordado anteriormente.Por isso, os trabalhadores decidiram manter a greve marcada para o primeiro dia das festas concelhias da Praia da Vitória.O
STAL reivindica a subida de um nível remuneratório, equivalente a 50
euros, aos cerca de 10 assistentes técnicos da Praia Ambiente e o
pagamento da totalidade do aumento acordado aos cerca de 10 técnicos
superiores, que desde janeiro recebem apenas 50% desse montante.Reivindica
ainda a atribuição de um ponto por ano de serviço entre 2019 e 2024, o
pagamento de um subsídio de disponibilidade de 15 euros a nove
funcionários e o pagamento do suplemento de insalubridade e penosidade
pelo valor máximo (4,99 euros).Questionado
pela Lusa, o dirigente do Sintap/Açores Orivaldo Chaves disse que o
novo contrato coletivo de trabalho, assinado em 14 de julho, resultou de
“quase três anos” de negociações com a Praia Ambiente, que se
arrastaram devido aos constrangimentos financeiros do município da Praia
da Vitória.“Nestes acordos há sempre
cedências de uma parte ou de outra e conseguimos reunir um conjunto de
requisitos que vão ao encontro das pretensões dos nossos associados”,
apontou.Orivaldo Chaves adiantou que a
administração da empresa assumiu o erro com o aumento salarial de quatro
funcionários e “garantiu que o processo ia ser revertido”.O
dirigente sindical alegou que se não tivesse sido assinado o novo
contrato, os trabalhadores arriscavam-se a perder benefícios já
negociados e em alguns casos já implementados, como a aplicação
da tabela remuneratória única dos trabalhadores em funções públicas, que
vai permitir um aumento ilíquido de 234 euros, até 2028.“Se
não assinássemos este acordo, só porque quatro pessoas tinham sido
indevidamente valorizadas, entre aspas – não sei se foi indevidamente ou
não, é um problema que o próprio conselho de administração da Praia
Ambiente terá de resolver – então nunca assinávamos o acordo”,
salientou.Questionado sobre a legalidade
da devolução do aumento já pago aos quatro funcionários, Orivaldo Chaves
disse que é uma questão jurídica, que terá de ser vista com a Câmara
Municipal da Praia da Vitória e com os administradores da Praia
Ambiente.Quanto à greve convocada pelo
outro sindicato, o dirigente do Sintap disse que é um direito que
assiste aos trabalhadores, mas ressalvou que “a partir do dia 01 a
economia praiense vai ter um ‘boom’ com a entrada de emigrantes e
visitantes para as Festas da Praia e depois hão de tirar as devidas
ilações daquilo que se está a passar relativamente à recolha ou não de
resíduos”.Questionado pela Lusa, o
presidente do conselho de administração da Praia Ambiente remeteu
esclarecimentos para um comunicado de imprensa, que será enviado mais
tarde.