Trabalhadores de comércio e IPSS na Terceira em greve por melhores horários e salários
14 de jun. de 2024, 15:01
— Lusa/AO Online
“Defendemos
duas situações muito claras: a redução do horário semanal para as 35
horas para todos os trabalhadores, independentemente de serem do setor
público ou privado, e o aumento dos salários”, afirmou, em
conferência de imprensa, o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores
das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares,
Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo, Transportes e
Outros Serviços (SITACEHT) dos Açores, Vítor Silva.Foram
já emitidos pré-avisos de greve para o dia 25 na ilha Terceira, em
vários hipermercados e em creches, jardins-de-infância e ateliês de
tempos livres de IPSS, mas o sindicalista admitiu que possam existir
jornadas de luta noutras ilhas.As greves inserem-se na semana de esclarecimento, ação e luta da CGTP/IN, que decorre em todo o país entre 20 e 27 de junho.Apesar
de as reivindicações serem destinadas a todo o setor privado, Vítor
Silva justificou a marcação de greves nestes dois setores com o facto de
serem aqueles em que “a mobilização é maior”, devido a lutas antigas.“Em
relação às IPSS, há 19 anos que as trabalhadoras vêm a reivindicar as
35 horas de trabalho para todas. Já fizeram petições, onde diziam que se
sentiam discriminadas, porque na mesma sala existem pessoas a fazer 39
horas e pessoas a fazer 35 horas e, quando chega ao fim do mês, ganham
exatamente a mesma coisa”, apontou.Segundo
o sindicalista, em 2024, o SITACEHT/Açores já emitiu cerca de duas
dezenas de pré-avisos de greve e organizou cerca de uma dezena de ações
de rua com os trabalhadores.“Estamos a ter
um ano diferente de outros porque os trabalhadores estão completamente
encostados à parede, com uma série de dificuldades, e tiveram de
reagir”, frisou.Além da aplicação do
horário semanal de 35 horas, para que os trabalhadores consigam
"conciliar a vida profissional com a vida pessoal e familiar", o
sindicato reivindica ainda o aumento dos salários na região, que tem um
dos índices de pobreza mais elevados do país.“Há
um número muito significativo de trabalhadores nos Açores, que, mesmo
tendo um posto de trabalho efetivo, vive abaixo do limiar da pobreza. A
situação dos aumentos salariais vai ter de acontecer, senão vai existir
sempre falta de mão-de-obra, porque as pessoas vão procurar trabalho
noutras regiões”, alertou.“É praticamente
impossível reter a mão-de-obra jovem nos Açores porque não há ninguém
que queira trabalhar pelo ordenado mínimo e fazer 10, 12 e 14 horas por
dia”, acrescentou.Uma das propostas do
SITACEHT é o aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nacional de
5 para 10%, que não reúne consenso na Assembleia Legislativa dos
Açores.Questionado sobre os alertas para a
possibilidade de os empresários da região não conseguirem assumir esses
aumentos, o sindicalista alegou que a atualização do salário mínimo tem
“beneficiado a economia do país”.“Em
2015, quando aumentou o salário mínimo em Portugal deu-se um passo muito
significativo no desenvolvimento de todo o país”, vincou.“Estaríamos
a distribuir melhor a riqueza e a dar mais poder de compra e não iam
ganhar só os trabalhadores, porque quem ganha o salário mínimo vai
aplicar a maior parte da sua remuneração na economia regional. Iria
estar a ganhar a própria região”, reforçou.