Trabalhadores de comércio e grande distribuição manifestam-se em Angra do Heroísmo
10 de out. de 2022, 16:42
— Lusa/AO Online
“Aquilo
que nos foi apresentado foi uma proposta que aumenta muito
significativamente o horário de trabalho para 60 horas semanais, sem
qualquer compensação do ponto de vista financeiro”, afirmou, em
declarações aos jornalistas, o coordenador do Sindicato dos
Trabalhadores de Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e
Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo dos
Açores (SITACEHT/Açores), Vítor Silva.“Patrão,
escuta, os trabalhadores estão em luta”, “Temos família, precisamos
cuidar dela”, “Não brinquem connosco, merecemos que nos respeitem”, “A
nossa saúde não tem preço” e “Merecemos o subsídio de alimentação” foram
algumas das palavras de ordem ouvidas na manifestação, em frente à sede
da associação empresarial representativa das ilhas Terceira, São Jorge e
Graciosa.Segundo Vítor Silva, os
trabalhadores do comércio e grande distribuição destas três ilhas não
têm contrato coletivo de trabalho há três anos e estão “revoltados” com a
proposta apresentada pela câmara de comércio.O sindicalista
disse que apresentou uma proposta “bastante razoável” junto da câmara de
comércio e que a contraproposta “não é aceitável”, sendo considerada
pelos trabalhadores como “um insulto”.“É a
pior proposta de contrato coletivo de trabalho que conheço. Ainda
consegue ser pior do que o contrato coletivo de trabalho da hotelaria,
que já é vergonhoso por si”, frisou.Vítor
Silva adiantou que “foram os próprios trabalhadores que obrigaram o
sindicato, independentemente do ponto de situação do processo negocial, a
marcar esta manifestação”.“Perante as
tentativas do sindicato de voltar ao diálogo com a câmara de comércio, a
resposta até agora foi pura e simplesmente em silêncio”, acrescentou.Os
trabalhadores reivindicam um horário de trabalho, no máximo, de 40
horas semanais e “aumentos de cerca de 10 euros em cada um dos níveis
remuneratórios”.O dirigente sindical
acusou os patrões de “má vontade”, sublinhando que o setor “mesmo no
período de pandemia vendeu sempre muito e teve sempre lucro”.“A
proposta que a câmara de comércio apresenta é o salário mínimo
praticado na região. Existem empresas que estão a pagar acima daquilo
que é proposto pela câmara de comércio”, referiu.Segundo
o coordenador do SITACEHT/Açores, foi apresentada ainda uma proposta de
mobilidade, que obriga os funcionários a trabalharem em supermercados e
hipermercados de outros concelhos na mesma ilha, “sem qualquer
compensação remuneratória”.O sindicalista
pediu a intervenção do Governo Regional, alegando que os contratos
coletivos de trabalho neste setor noutras ilhas têm melhores condições.“O
Governo Regional pode estender o contrato que é praticado num outro
grupo de ilhas à nossa ilha, uma vez que a câmara de comércio não
demonstra vontade para negociar o contrato coletivo de trabalho”,
apontou.Questionado pela Lusa, o
presidente da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, Marcos Couto,
disse ter ficado surpreendido com a manifestação, acusando o sindicato
de não ter apresentado uma contraproposta.“Entregámos
efetivamente uma proposta e não obtivemos resposta do sindicato,
portanto não entendemos muito bem uma manifestação, quando supostamente
estariam a decorrer negociações, em que há propostas e há
contrapropostas. Nunca recebemos contraproposta deste sindicato”,
afirmou.Marcos Couto ressalvou que o
direito à manifestação “assiste a todas as organizações numa sociedade
livre”, mas considerou que o SITACEHT/Açores “tem pautado a sua ação por
posições extremadas”, alegando que é “pouco produtivo” encarar estas
situações como “lutas de empresários contra funcionários e sindicatos”.