Trabalhadores das Misericórdias dos Açores com aumentos salariais de 6,56%
28 de abr. de 2023, 17:30
— Lusa
“No somatório da componente
remuneratória, tivemos atualizações de 2019 a 2022 de 3,7%, a que se
junta agora 6,56%”, avançou, em declarações à Lusa, o presidente da
União Regional de Misericórdias dos Açores (URMA), Bento Barcelos.O
provedor da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, que lidera
a URMA, falava à margem da assinatura de uma convenção coletiva de
trabalho com o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de
Entidades com Fins Públicos dos Açores (Sintap) e com o Sindicato dos
Profissionais de Escritórios, Comércio, Indústria, Turismo, Serviços e
Correlativos da Região Autónoma dos Açores (Sindescom).Para
além do aumento de 6,56% nas remunerações, o acordo contempla uma
atualização do de 4,82% no subsídio de refeição, que passa de 4,77 euros
para 5 euros, e de 16,37% no abono para falhas, que passa de 30 para 35
euros.Bento Barcelos destacou ainda
atualizações das carreiras, alegando que na tabela salarial apenas um
nível é abrangido pelo salário mínimo regional.“Validamos
e valorizamos todas as carreiras profissionais, desde os quadros
superiores até aos quadros de serviço gerais”, frisou, falando num
“acordo histórico”.O presidente da URMA
considerou que este aumento salarial é uma forma de “compensar” os
trabalhadores pelo “esforço acrescido” durante a pandemia de covid-19,
em que tiveram “um papel fundamental”.Os
sindicados reivindicavam aumentos de 8,5%, mas, segundo Bento Barcelos,
“era impensável chegar lá”, tendo em conta a “grande imprevisibilidade”
provocada pela crise inflacionária.“Queremos
ter instituições sustentáveis do ponto de vista económico e financeiro,
mas também queremos remunerar bem os profissionais que trabalham nestas
23 misericórdias”, salientou.O dirigente
do Sintap/Açores Orlando Esteves considerou que houve uma “ótima
aproximação” à proposta do sindicato, reconhecendo que em negociações é
normal haver cedências.“Da parte do
Sintap, saímos muito satisfeitos. Pela primeira vez, em 20 anos que
tenho estado em negociações com a URMA, é a primeira vez que correu
muito bem, com abertura total de ambas as partes”, apontou.Segundo
Orlando Esteves, “não se compreendia” o “desfasamento” entre as tabelas
salariais das IPSS e Misericórdias, para trabalhadores que cumpriam as
mesmas funções, situação que foi corrigida com este acordo.Por
outro lado, houve uma “valorização das carreiras profissionais de
muitos trabalhadores, entre eles os técnicos superiores”, que “já há
alguns anos” o reivindicavam.Também o
dirigente do Sindescom Paulo Mota disse sair das negociações
“satisfeito”, considerando que foi alcançado um “bom acordo”.“É mais um passo. Para o ano esperemos que seja melhor. Foi um bom entendimento”, afirmou.O
dirigente sindical destacou igualmente o aumento salarial de 6,56%, o
aumento do subsídio de refeição e a valorização das carreiras.“Houve
essa aproximação [aos salários das IPSS], como também houve na questão
dos níveis. Existiam 18 e passam para 17. A partir de determinado nível,
a subida ao máximo da carreira é mais fácil”, explicou.Os Açores têm 23 Misericórdias, que integram 2.025 trabalhadores.Os
dois sindicatos já tinham assinado, em março, uma convenção com União
Regional de Instituições Particulares de Solidariedade Social dos Açores
(URIPSSA).