Trabalhadores da SATA preocupados com interferências políticas e privatizações apressadas
30 de dez. de 2024, 15:46
— Lusa/AO Online
“Não
podemos permitir que uma empresa essencial para o desenvolvimento da
nossa região seja usada como instrumento político ou fique à mercê de
interesses partidários e de privatizações apressadas e mal
estruturadas”, lê-se num manifesto divulgado.A
posição dos trabalhadores surge em reação a declarações do
vice-presidente do Governo Regional, Artur Lima, que, na qualidade de
líder do CDS-PP/Açores, disse ao jornal local Diário Insular, na edição
de sábado, que "a TAP trata melhor os Açores do que a SATA".O
dirigente centrista foi questionado sobre notícias divulgadas por outro
jornal local, o Diário dos Açores, que davam conta de que a Azores
Airlines se preparava para abandonar rotas deficitárias, incluindo uma
ligação da ilha Terceira aos Estados Unidos.Artur
Lima, que no Governo Regional tem a tutela da gestão da Aerogare Civil
das Lajes, na Terceira, rejeitou que a rota Terceira-Oakland tenha dado
prejuízo e defendeu que “a TAP tem mais consideração pelos Açores do que
a SATA", assegurando uma ligação direta entre a Terceira e São
Francisco.No manifesto divulgado, os
trabalhadores questionam, “com preocupação”, se o presidente do
executivo açoriano da coligação PSD/CDS-PP/PPM, José Manuel Bolieiro,
“concorda com as declarações do seu vice-presidente de que a TAP presta
um melhor serviço aos Açores do que a SATA”.“Tal
posição, se verdadeira, não só ignora os sacrifícios e o trabalho árduo
dos trabalhadores da SATA, como também desconsidera o papel crucial da
empresa no dia a dia das populações açorianas e no desenvolvimento
regional”, apontam.Os funcionários
criticam a “crescente interferência de interesses políticos na gestão da
SATA”, alegando que “tem colocado em risco o funcionamento e a
sustentabilidade da empresa”.“Decisões
orientadas por agendas partidárias, em detrimento de critérios técnicos e
económicos, geram ineficiência, má gestão e comprometem o futuro da
companhia”, sublinham.Apelam, por isso, à
sociedade civil, às entidades regionais e ao governo central que “não
permitam que a SATA se torne um peão na guerra política”.“Reivindicamos
uma gestão independente, conduzida por especialistas do setor e baseada
em princípios técnicos e económicos sólidos. A autonomia da empresa é
essencial para garantir a estabilidade financeira e o cumprimento dos
serviços essenciais”, defendem.Os
trabalhadores manifestam também “estranheza e preocupação com a
apressada alienação da Azores Airlines a um interessado que já tinha
demonstrado interesse anteriormente, mas cuja proposta foi, à época,
descartada pela própria região”.“Este
retrocesso levanta questões sérias sobre os critérios adotados para a
venda e os reais objetivos por detrás desta decisão”, acusam.Consideram,
ainda, “completamente desequilibrada, desajustada e prejudicial” a
pretensão de separar e alienar a unidade de ‘handling’ da SATA.“Este
serviço é uma peça essencial para a operação integrada da companhia e
para a sua viabilidade financeira. A sua separação enfraqueceria ainda
mais a estrutura da SATA, prejudicando trabalhadores, a qualidade do
serviço e, em última instância, as populações açorianas que dependem
desta operação”, alertam.Os funcionários
pedem “maior transparência” nas ações do Governo Regional e na gestão da
empresa, “com a garantia de que todas as escolhas sejam feitas com base
em estudos detalhados e consistentes que considerem as necessidades da
população e a sustentabilidade do serviço”.“É
urgente que a SATA seja parte de uma estratégia nacional de transportes
que contemple as especificidades regionais. O futuro da empresa precisa
ser pautado por uma política de aviação pública que assegure o
desenvolvimento regional e a interligação do arquipélago”, acrescentam.