Trabalhadores da Praia Ambiente em protesto na ilha Terceira por aumentos salariais e fim da discriminação
1 de ago. de 2025, 15:38
— Lusa/AO Online
Além
da manifestação, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da
Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e
Afins (STAL) convocou também para hoje uma greve de um dia na empresa
responsável pelo abastecimento de água e recolha de resíduos no concelho
da Praia da Vitória, na ilha Terceira.Em
declarações à agência Lusa, a dirigente do STAL/Açores Benvinda Borges
adiantou que a manifestação “juntou cerca de 50 participantes da empresa
que tem perto dos 70 trabalhadores”.Quanto
à adesão à greve, Benvinda Borges disse que ainda não foi possível
apurar “quantos trabalhadores aderiram à paralisação”, mas garantiu que
os serviços administrativos, nomeadamente o atendimento ao público e a
área das taxas e licenças, “estão encerrados”.O
STAL alega que o conselho de administração da Empresa Municipal Praia
Ambiente, não atuou de boa-fé na negociação do Acordo de Empresa com o
sindicato. Em causa está o facto de quatro trabalhadores terem recebido aumentos salariais superiores aos acordados com os restantes."Não
foi justa a situação deste processo. Existe uma clara discriminação
entre os próprios trabalhadores", denunciou a dirigente do STAL/Açores.Ainda segundo Benvinda Borges, o acordo já tinha sido negociado "e faltava só assinar"."Com
a saída do administrador executivo e a entrada de um novo administrador
executivo ocorreram alterações substanciais, uma vez que quatro
trabalhadores foram valorizados e foram esquecidos os restantes. A
empresa veio posteriormente admitir que houve um erro, mas não houve
erro nenhum", referiu a dirigente sindical.O
conselho de administração da empresa alegou tratar-se de um erro e
garantiu que a situação seria corrigida, tendo assinado um acordo
coletivo de trabalho com o Sindicato dos Trabalhadores da Administração
Pública e de Entidades com Fins Públicos (Sintap), dias após o anúncio
de greve.“Não houve erro nenhum. Houve sim
discriminação. Estamos a falar de aditamentos aos contratos, celebrados
apenas com alguns, e isso é inaceitável numa empresa pública ligada à
autarquia, embora o serviço aos munícipes seja desempenhado de igual
modo", sustentou.Por outro lado, o STAL
reivindica a subida de um nível remuneratório, equivalente a 50 euros,
aos cerca de 10 assistentes técnicos da Praia Ambiente e o pagamento da
totalidade do aumento acordado aos cerca de 10 técnicos superiores, que
desde janeiro recebem apenas 50% desse montante.Além
disso, quer ainda a atribuição de um ponto por ano de serviço entre
2019 e 2024, o pagamento de um subsídio de disponibilidade de 15 euros a
nove funcionários e o pagamento do suplemento de insalubridade e
penosidade pelo valor máximo (4,99 euros)."E, não prescindimos disso", reforçou Benvinda Borges, garantindo que o STAL "está sempre aberto a negociações".A dirigente do STAL/Açores adiantou também que o sindicato vai voltar a realizar um plenário para avaliar a situação."Houve uma reunião a 24 de julho, mas foi uma mão cheia de nada. E, portanto, eles não quiseram dar mais abertura", criticou.Questionado
recentemente pela Lusa, o dirigente do Sintap/Açores Orivaldo Chaves
disse que o novo contrato coletivo de trabalho, assinado em 14 de julho,
resultou de “quase três anos” de negociações com a Praia Ambiente, que
se arrastaram devido aos constrangimentos financeiros do município da
Praia da Vitória.“Nestes acordos há sempre
cedências de uma parte ou de outra e conseguimos reunir um conjunto de
requisitos que vão ao encontro das pretensões dos nossos associados”,
apontou.