Trabalhadores da Praia Ambiente em greve contra desigualdades nos aumentos salariais

11 de jul. de 2025, 15:10 — Lusa/AO Online

Em causa, segundo a dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) Benvinda Borges, está o facto de ter havido uma negociação paralela com alguns trabalhadores, que tiveram aumentos salariais superiores aos restantes."Houve um acordo que estava já fechado. O anterior administrador executivo saiu a 3 de janeiro e já tinha fechado o acordo connosco. E quando fomos para assinar [com o novo administrador executivo percebemos] que tinha havido negociações paralelas com seis ou sete trabalhadores", afirmou, em declarações aos jornalistas.Segundo Benvinda Borges, em janeiro, o sindicato acordou um aumento salarial abaixo do que reivindicava, porque a empresa alegava não ter dinheiro para um aumento superior, e os técnicos superiores aceitaram mesmo receber, em 2025, apenas 50% do valor previsto."Em janeiro, todos foram aumentados por igual. Depois aumentaram estes trabalhadores e até lhes deram retroativos. Foram negociações paralelas. Não temos nada contra quem esteja a ganhar mais, queremos é que haja igualdade para todos", avançou.Com cerca de 70 funcionários, na maioria assistentes operacionais, a Praia Ambiente é a empresa municipal responsável pelo abastecimento de água e recolha de resíduos no concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira.Os trabalhadores reuniram-se em plenário e decidiram avançar com uma greve no primeiro dia de agosto e realizar uma manifestação nas ruas da cidade.A data da greve coincide com o primeiro dia das festas concelhias e poderá deixar a Praia da Vitória sem recolha de lixo.Benvinda Borges garantiu que há um "descontentamento generalizado dos trabalhadores", que reclamam aumentos salariais."Queremos que haja igualdade e que os trabalhadores vejam todos o seu salário aumentado. Se havia dinheiro para uns, havia para outros", vincou.O sindicato reivindica para os técnicos superiores, que abdicaram de 50% do aumento, o recebimento da totalidade do valor previsto, e que os assistentes técnicos subam um nível na tabela salarial, como foi acordado nas negociações paralelas com alguns trabalhadores."Até ao dia da greve esperamos abertura [para negociar], até porque a senhora presidente da câmara disse que o município tinha 800 mil euros de lucro. Isto é uma empresa municipal. Queremos que se faça justiça", salientou a dirigente do STAL.Questionado pela Lusa, o vice-presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Ricky Baptista, que é presidente do conselho de administração da Praia Ambiente, disse ter havido um erro, que será corrigido. "Houve um erro com quatro colaboradores e, perante um parecer jurídico, vamos corrigir a situação, de forma a garantir equidade entre todos os colaboradores", afirmou.Ricky Baptista não quis, no entanto, revelar se essa correção passa por reduzir os aumentos atribuídos a estes quatro trabalhadores ou por aumentar os vencimentos dos restantes, alegando que pretendia falar primeiro com os funcionários."O conselho de administração esteve reunido e vamos informar os colaboradores da decisão", adiantou.O autarca disse esperar que haja um entendimento capaz de evitar a greve, sublinhando que o conselho de administração tem mostrado "boa vontade" para trabalhar com os sindicatos."O conselho de administração tem vindo a mostrar a sua vontade em tratar todos os colaboradores por igual, com medidas como a implementação das 35 horas semanais para todos, acabando com uma diferenciação entre colegas. A nossa proposta inclui uma tabela remuneratória única, equiparando [os salários] com a função pública", apontou.