Trabalhadores da Eletricidade dos Açores fazem contraproposta de aumentos salariais e mantêm greve
23 de mai. de 2025, 15:07
— Lusa/AO Online
Na
segunda-feira, a administração da empresa reuniu-se com os sindicatos e
apresentou uma “última proposta” negocial de aumento salarial de 3,5% e
um valor mínimo garantido de 47 euros mensais.Os
sindicatos, que reivindicavam um aumento de 4,7% e um valor mínimo de
53 euros, reuniram-se durante a semana com os trabalhadores, que
decidiram rejeitar a proposta da empresa.Na
quinta-feira, ao final do dia, os sindicatos apresentaram uma
contraproposta, mas se não houver resposta da empresa admitem avançar
com a greve já anunciada, a partir de 2 de junho, e recorrer mesmo a
outras formas de luta.“Os associados do
SINDEL decidiram, por larga maioria, dizer não à proposta da EDA e,
neste momento, apresentam uma contraproposta, reduzindo de 4,7 para 4% e
53 euros de mínimo de aumento salarial”, adiantou à Lusa o dirigente do
Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (SINDEL) António Melo.Segundo
o sindicalista, não há uma nova ronda negocial agendada, mas o
sindicato já se disponibilizou para voltar a reunir com a empresa para
evitar a greve.“Queremos a todo o custo
evitar esta greve para o bem da Região Autónoma dos Açores, para que não
haja disrupções de energia desnecessariamente”, frisou.Os
sindicatos estão a aguardar pela definição dos serviços mínimos por
parte do tribunal arbitral, mas depois de uma primeira reunião António
Melo acusou a EDA de pretender impor “serviços máximos”.“Na
greve, vamos garantir, de forma clara e inequívoca, as necessidades
sociais impreteríveis, quando esteja em causa a segurança de
equipamentos e instalações”, ressalvou.Apesar
de ter baixado a percentagem de aumento salarial reivindicada, o
sindicato insiste no valor mínimo de 53 euros, o equivalente ao aumento
do salário mínimo nos Açores, para “afastar as bases remuneratórias de
início de carreira da EDA do salário mínimo”.“A
empresa já tem grandes dificuldades em contratar técnicos com os
valores do início de carreira. Uma carreira técnica recebe à entrada
1.054 euros e uma carreira não técnica 957 euros”, sublinhou António
Melo.O dirigente do SINDEL disse esperar
conseguir ainda chegar a um consenso com a EDA para evitar a greve, mas,
se não houver alterações nas negociações, esta poderá ser apenas a
primeira paralisação.“Será a primeira de
muitas outras formas de luta que vamos encetar. Que fique claro que não
havendo acordo esta não será a única greve. Podemos avançar para uma
greve geral. Tudo está em cima da mesa”, avançou.Também
os associados do Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e
Ilhas (SIESI) decidiram rejeitar a proposta da empresa e avançar para a
greve.“Já reunimos com todos os nossos
associados nas nove ilhas e foi unânime não aceitar a proposta
apresentada pela empresa. Numa tentativa de tentarmos chegar a um
consenso com a empresa apresentámos uma contraproposta”, afirmou o
dirigente sindical Rui Medeiros. Para o
sindicalista, a proposta de aumento de 4% e 53 euros de valor mínimo é
“uma questão de justiça” e nem será suficiente para atingir uma
reposição salarial, face às perdas registadas nos últimos anos.“As
carreiras mais baixas já estão a ficar muito próximas do ordenado
mínimo e na empresa Eletricidade dos Açores não há necessidade de ter o
trabalhador a ganhar o salário mínimo. Tem de haver uma diferenciação
positiva”, defendeu.Rui Medeiros garantiu
que os trabalhadores estão unidos nesta causa e que a greve que se
inicia no dia 02 de junho poderá não ser a única, mas disse ter ainda
esperança num acordo com a empresa.“Nós
temos sempre esta esperança. Até mesmo por uma questão de paz social
dentro da empresa. Seria fundamental chegar a um acordo. Não havendo um
acordo, há sempre um conflito que vai perturbar o bom funcionamento da
empresa”, salientou.Na segunda-feira, o
presidente da EDA, Paulo André, disse que o aumento de 3,5% e 47 euros
de valor mínimo representava um “esforço significativo” da empresa, com
um custo anual de “mais 1,2 milhões de euros”.Paulo
André lembrou que a empresa é regulada e abrangida pelo mecanismo de
compensação tarifária, alegando que este era o valor limite que a EDA
podia apresentar."Estamos sujeitos a
fatores de eficiência, por parte da entidade reguladora, que se não
forem cumpridos, os nossos sobrecustos não são totalmente cobertos. A
rubrica de custos com pessoal é uma das rubricas onde o regulador não
aceita a totalidade dos seus custos já atualmente”, explicou.