Trabalhadores da EDA manifestaram-se em Angra do Heroísmo por aumentos salariais
16 de mai. de 2025, 12:28
— Lusa/AO Online
“Nós
reivindicamos uma tabela com responsabilidade e estamos aqui para
chegar a um consenso com a empresa em paz”, afirmou, em declarações aos
jornalistas, o dirigente do Sindicato Nacional da Indústria e da Energia
(SINDEL) Ricardo Toste.Cerca de quatro
dezenas de trabalhadores, representados por vários sindicatos, saíram à
rua em Angra do Heroísmo, numa marcha entre as instalações da EDA e o
Palácio dos Capitães-Generais, onde entregaram um memorando com as
reivindicações ao vice-presidente do Governo Regional dos Açores
(PSD/CDS/PPM), Artur Lima.O governante ouviu os apelos dos trabalhadores e disse esperar que haja um entendimento com a empresa.“Espero
que, com bom senso e serenidade, se chegue a uma conclusão que seja
benéfica para todos, para os trabalhadores, para o Governo e para os
açorianos acima de tudo”, disse.A Região
Autónoma dos Açores é o principal acionista da elétrica açoriana
(50,1%), que é também detida pela ESA (39,7%), pela EDP (10%) e por
pequenos acionistas e emigrantes (0,2%).Os
trabalhadores reivindicam um aumento salarial de 4,7% e um mínimo de 53
euros, quase o dobro dos 2,5% que a empresa ofereceu na última reunião.No arranque das negociações, as propostas dos diferentes sindicatos oscilavam entre 5 e 10%, mas já houve uma aproximação.“Nós
todos baixámos a nossa faixa para os 4,7%. Estamos a chegar ao limite.
Não estamos aqui para baixar mais do que isso”, indicou Ricardo Toste.A empresa também subiu o valor proposto inicialmente, mas os trabalhadores rejeitam um aumento de 2,5%.“A
primeira proposta que foi feita aos trabalhadores pela empresa, na
primeira reunião, foi 2,03%. Isso é proposta que se faça a alguém? Uma
empresa que apresenta 10 milhões [de euros] de lucro”, questionou o
sindicalista.Na quarta-feira, interrogado
sobre a greve dos trabalhadores dos matadouros públicos dos Açores, que
reivindicavam o pagamento de retroativos de 2024, o presidente do
executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, disse que o Governo “não tem
varinhas mágicas para corresponder às ambições de todos".Ricardo Toste admitiu ter ficado boquiaberto com as declarações do presidente do Governo Regional.“A
gente também não tem varinha mágica para ir ao posto de combustível
meter combustível no carro, nem varinha mágica para pagar os preços das
casas que estão elevadíssimos e os produtos essenciais nos
supermercados”, salientou.O dirigente
sindical reivindicou um “ordenado digno” e que se aproxime dos valores
pagos pela EDP no continente e pela EEM na Madeira.“Os
trabalhadores da EDP e da Empresa de Eletricidade da Madeira estão com
um diferencial para a EDA de 30 a 40%. Nós fazemos o mesmo que eles
fazem, com uma dispersão geográfica muito maior. Muitas vezes os
trabalhadores têm de se deslocar de ilha em ilha para fazer serviço
noutras ilhas, porque temos pouco pessoal e a empresa cortou nas
contratações de pessoal, porque a Entidade Reguladora da Energia não
autoriza”, salientou.Os sindicatos têm nova reunião com a administração da EDA, marcada para segunda-feira, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.Se
não chegarem a entendimento, os trabalhadores avançam com uma greve às
horas extraordinárias e às deslocações, a partir do fim do mês.Na
quarta-feira, o presidente EDA, Paulo André, disse à Lusa que há margem
para chegar a um entendimento, mas "irá depender também da vontade das
estruturas sindicais”.“Somos uma empresa
regulada, os nossos custos têm de ser justificados e aceites pelo
regulador, porque são custos que são incorporados a nível da tarifa em
termos nacionais. Por isso nós temos de ter alguma cautela na forma como
esses custos são aceites na empresa”, apontou.