Trabalhadores da Cofaco do Pico despedidos em 2018 continuam sem acesso à majoração de apoios
21 de dez. de 2021, 13:08
— Lusa/AO Online
“É
inexplicável que o Governo da República, passados praticamente quatro
meses, não tenha feito algo tão simples como aplicar e cumprir uma lei”,
afirmou o coordenador do Sindicato das Indústrias Transformadoras,
Alimentação, Comércio, Escritórios, Hotelaria e Turismo (SITACEHT) dos
Açores, Vítor Silva, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.Em
maio de 2018, a conserveira Cofaco, dona do atum Bom Petisco, encerrou a
fábrica da ilha do Pico, despedindo 162 trabalhadores, com o
compromisso de abrir uma nova fábrica até janeiro de 2020, mas,
entretanto, desistiu do projeto.Em
setembro de 2020, foi aprovado na Assembleia da República um projeto de
lei que previa a criação de um programa especial de apoio social para os
ex-trabalhadores da Cofaco do Pico, medida que já tinha constado de um
projeto de resolução aprovado em 2018 e tinha sido integrada no
Orçamento do Estado para 2020.A lei foi
publicada em 11 de novembro de 2020 e regulamentada em 24 de agosto de
2021, mas quando os ex-trabalhadores se dirigiram à Segurança Social
foi-lhes dito que “não havia informação sobre esta matéria”.“Devo
confessar que fui apanhado de surpresa, porque pensava que este
problema estava ultrapassado. A regulamentação era muito clara e muito
específica, portanto não consigo perceber qual é a falha neste momento,
se é falta de comunicação entre o Governo e a Segurança Social, se
faltou ao Governo enviar um email à Segurança Social a dizer aplique-se
este diploma, se é um simples telefonema”, avançou Vítor Silva.Para
o sindicalista, o atraso na aplicação da legislação regulamentada há
quase quatro meses é “vergonhoso, incompreensível, lamentável e
revoltante”.O sindicato vai solicitar
reuniões com o vice-presidente do Governo Regional, que tutela a
Segurança Social na região, e com o representante da República para a
Região Autónoma dos Açores, mas, “se até ao dia 15 de janeiro esta
situação não estiver resolvida”, admite tomar “outras posições”.“Podemos
pôr o Estado português em tribunal, se tal for necessário, podemos
recorrer ao Provedor de Justiça, podemos recorrer a outras entidades que
possam ter uma intervenção. Nós não excluímos nenhuma situação neste
momento, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para defender os
ex-trabalhadores da Cofaco”, frisou.Segundo
Vítor Silva, há pessoas que estão em vias de deixar de receber ou já
deixaram mesmo de receber o subsídio de desemprego, mas a legislação tem
aplicação com retroativos a janeiro de 2021.“Os
ex-trabalhadores da Cofaco do Pico e as suas famílias estão a passar
por momentos extremamente complicados, porque para além de estarem
desempregados, veem-se agora confrontados com a perda do subsídio de
desemprego”, alertou, lembrando que a maioria tem mais de 50 anos e não
conseguiu ainda encontrar outro emprego.“Algumas
destas pessoas fizeram até promessas no caso de vir a ser aplicada esta
majoração. Já cumpriram as promessas, porque efetivamente pensavam que
depois de o decreto regulamentar n.º 5/2021 não havia mais nenhum
volte-face que pudesse acontecer. Neste momento, as pessoas não
acreditam naquilo que tem acontecido”, acrescentou.O
diploma “duplica os períodos de concessão das prestações de desemprego
destes trabalhadores (no máximo até 31 de dezembro de 2023, caso não
cessem antes)”, para além de majorar, em 20%, os montantes do subsídio
de desemprego, do subsídio social de desemprego e do Rendimento Social
de Inserção (RSI), explicou, na altura, à Lusa fonte oficial do
Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.Quanto
aos montantes do abono de família para crianças e jovens e do abono de
família pré-natal, são majorados em 25%, indicou a mesma fonte.