Trabalhadores avisam que SATA está à deriva e prometem agir para evitar destruição
3 de jun. de 2024, 17:01
— Lusa/AO Online
“Os
trabalhadores não vão ficar inativos a assistir à destruição da sua
empresa. Não havendo resposta por parte do Governo Regional, os
sindicatos agiram e agirão sempre em conjunto e em conformidade na
defesa da SATA Air Açores”, refere a CT da transportadora do grupo SATA
responsável pelos voos entre as ilhas açorianas.Em
comunicado, a CT adianta que esteve reunida com os sindicatos
representativos de todos os trabalhadores da SATA Air Açores e com os
representantes dos funcionários no conselho de administração para
“manifestar a sua enorme preocupação pelo caminho que a companhia está a
seguir”.Salientando que a empresa é
“estruturante para os Açores”, os trabalhadores denunciam a “falta de
equilíbrio financeiro”, de “planeamento de rotas” e a “escassez de
recursos humanos em todas a áreas”.A CT
alerta também para o “desequilíbrio entre a parte operacional e a parte
comercial” e a “incapacidade em cumprir as necessidades de manutenção”,
criticando as “sucessivas gerações de maus gestores e de políticas
erróneas” que “infligem danos irreparáveis que, mesmo amplamente
denunciados, teimam em repetir-se”.“Os
sucessivos governos regionais têm sido negligentes enquanto acionistas,
permitindo a degradação permanente da melhor ferramenta de coesão
territorial que pode existir numa região com a elevada descontinuidade
geográfica como a nossa”, lê-se no comunicado.Os
trabalhadores da SATA Air Açores realçam que os conselhos de
administração e os governos regionais “vêm e vão sem que nunca se apurem
responsabilidades”, levando a que sejam os “trabalhadores a sofrer
ciclicamente as consequências”.“O atual
Governo Regional dos Açores tem mostrado a mesma atitude negligente que
se evidencia, em primeira instância, na falta de nomeação de um conselho
de administração em plenitude de funções, bem como, com provas dadas na
gestão de uma companhia de aviação comercial”, condenam.A
CT revela ter pedido a 22 de maio uma audiência com o presidente do
Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), o social-democrata José Manuel
Bolieiro, não tendo obtido resposta.“A
empresa encontra-se neste momento à deriva, num completo desnorte
operacional, com os trabalhadores em rotura, à beira da fadiga e do
‘burnout’”, avisam.Os trabalhadores da
SATA Air Açores consideram que a “indefinição sobre o processo de
privatização da Azores Airlines e a falta de plano estratégico para o
grupo restringem a capacidade de retoma de uma empresa vital que a
política parece apostada em agonizar”.“Ninguém
assume responsabilidades e vamos todos pagar caro. Há responsabilidades
políticas a apurar e deixar avançar a SATA Air Açores nestas condições
só vai conduzir a sérios prejuízos sociais e à sua sustentabilidade a
curto e a médio prazo”, alerta a CT.A
demissão de Teresa Gonçalves da presidência do grupo SATA foi anunciada a 09 de abril, quatro dias depois de ser conhecida a decisão final do
júri do concurso público para a privatização da Azores Airlines
(companhia aérea responsável pelas ligações entre os Açores e o
exterior).Em junho de 2022, a Comissão
Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à
reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em
empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).Hoje, o PS/Açores anunciou
que vai chamar ao parlamento a secretária regional do Turismo e
Mobilidade e o vogal executivo da SATA, alegando que o Governo “deve
prestar contas” pelo “descalabro operacional provocado no grupo" de
aviação.