O
dirigente Clarimundo Batista do Sindicato dos Trabalhadores da Marinha
Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pescas disse à Lusa que a
administração da operadora de transporte marítimo dos Açores “furou o
que estava estabelecido em sede de conciliação” na sequência do acordo
alcançado entre ambas as partes.A Atlânticoline assegura, entre outras rotas, as ligações entre as denominadas ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge).O
responsável do sindicato nos Açores afirma que a empresa “partiu para a
negociação individual sem conhecimento do sindicato”, convocando para
09 de dezembro, “por via telemóvel, uma reunião para 12 de dezembro”,
pretendendo-se “comprar horas de trabalho, sendo que o Código de
Trabalho já estabelece 200 horas”.“Nunca
nos entendemos sobre esta matéria, e como não nos entendemos, o que está
estabelecido são 200 horas de trabalho. Eles queriam comprar mais 270
horas, para ficar 470 horas por 304 euros. Isto não é admissível”,
refere o sindicalista, que salvaguarda que “ainda há pouco tempo esta
cláusula valia três mil euros”. Clarimundo
Batista diz que “enquanto esta administração não perceber que tem de
negociar e pagar o que é devido, o sindicato não vai abdicar [das suas
revindicações], podendo levar até um ano” em luta.A
12 de julho, a greve convocada pelo sindicato que representa os
maquinistas da Atlanticoline, com início previsto para 20 de julho, foi
desconvocada após um acordo alcançado com a empresa sobre as horas
extraordinárias, informou, na altura, o sindicato.Clarimundo
Batista disse à agência Lusa, na altura, que “as partes entenderam-se”,
na sequência de uma reunião ocorrida na quinta-feira, relativamente ao
trabalho extraordinário.A Atlânticoline
transporta anualmente quase meio milhão de passageiros e cerca de 30 mil
viaturas, sobretudo entre as ilhas do Triângulo, onde opera todo o ano,
com recurso a quatro unidades - dois navios e dois ‘ferries’.