Trabalhadoras da Cofaco nos Açores iniciam em maio nova paralisação
19 de abr. de 2023, 12:00
— Lusa/AO Online
As
operárias da unidade de transformação da conserveira Cofaco, na vila de
Rabo de Peixe, iniciaram, desde setembro de 2022, paralisações,
reivindicando a progressão das manipuladoras na carreira profissional, a
“dignificação e valorização do trabalho, a conciliação da vida
profissional com a pessoal e familiar”, bem como o “aumento do subsídio
de alimentação e das diuturnidades e aumentos salariais justos”.O
dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias
Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comercio Escritórios e
Serviços, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT/AÇORES), Vítor
Silva, adiantou que "o terceiro pré-aviso" de greve inclui "uma
situação nova" relacionada "com a luta pelas 35 horas de horário de
trabalho semanal".Vítor Silva revelou, em
conferência de imprensa, que esta reivindicação vai ser alargada "a
outras empresas" e "a outros setores", nomeadamente em relação às
ajudantes dos colégios, uma "luta pela consagração das 35 horas" que
permita "a conciliação da vida pessoal e da vida familiar".No
caso da reivindicação da progressão das manipuladoras das trabalhadoras
da Cofaco, o dirigente do SITACEHT/AÇORES explicou que o sindicato
sugeriu que essa categoria "fosse dividida em pelo menos três níveis
para que as trabalhadoras beneficiem de distinção e aumentos salariais",
alegando que "os únicos aumentos" que as operárias têm são "os
decorrentes do aumento da retribuição mínima regional"."Ou
seja, estas trabalhadoras estão a ser duplamente prejudicadas - durante
toda a vida de trabalho a auferir o salário mínimo e, quando se
reformam, pelos valores descontados têm reformas de miséria", vincou.Vítor
Silva referiu que a administração da Cofaco Açores, detentora de marcas
Bom Petisco, Tenório e Pitéu, "não aceita esta pretensão da
dignificação profissional das trabalhadoras", frisando que "não resta
outra alternativa às trabalhadoras e ao SITACEHT/Açores, que não seja
continuar a luta e avançar com o aviso prévio de greve".A
paralisação visa "a progressão das manipuladoras na carreira
profissional, a dignificação e valorização do seu trabalho, conciliação
da vida profissional, com a vida pessoal e familiar, as 35 horas de
horário de trabalho semanal, aumentos dignos do subsidio de alimentação e
das diuturnidades e aumentos salariais justos", acentuou.Vítor
Silva garantiu que o sindicato “irá até às últimas consequências", até
que seja "corrigida a situação" das trabalhadoras da Cofaco, admitindo
recorrer do ponto de vista constitucional.De
acordo com Vítor Silva, num universo de "220 trabalhadores da Cofaco,
85% está impossibilitada de progredir na categoria profissional"A
greve, que será iniciada a 01 de maio, será também, "simbolicamente", o
dia em que o sindicato vai iniciar uma petição pelo aumento do
acréscimo regional ao salário mínimo nacional na Região, para compensar o
"aumento muito significativo do custo de vida", face aos rendimentos
"muito baixos" que auferem os trabalhadores na Região."Mais
de 11% dos trabalhadores açorianos são pobres. Ou seja, são pessoas que
trabalham mas mesmo assim são pobres, porque os vencimentos são
extremamente baixos", apontou Vítor Silva.O
dirigente sindical concretizou que a petição reivindica "um aumento de 5
para 10%" do acréscimo regional ao salário mínimo nacional