Trabalhadoras da Cofaco manifestam-se e pedem dignidade e valorização salarial
Hoje 09:10
— Nuno Martins Neves
São os “Messis e Cristianos Ronaldos” da indústria conserveira, mas
ganham o salário mínimo regional há décadas. Este foi um dos motes da
manifestação das cerca de 70 trabalhadoras da COFACO, realizado na manhã de quarta-feira à porta das instalações da fábrica, em Rabo de Peixe, apoiadas
pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras,
Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços,
Hotelaria e Turismo, Transportes e Outros Serviços dos Açores
(SITACEHTT/Açores).Além da progressão nas categorias profissionais,
do aumento do subsídio de alimentação, das diuturnidades e do salário,
as funcionárias querem dignidade, diz o sindicalista Vítor Silva.“Estamos
a falar num conjunto muito significativo de trabalhadores da Cofaco,
85% que entra para a empresa a ganhar o salário mínimo, trabalha três,
quatro, cinco décadas e sai com o mesmo salário. Isto porque não há
progressão!”, alerta.Uma situação que se torna incompreensível por a
Cofaco se tratar de uma empresa “com marcas de excelência a nível
nacional e internacional, com a Bom Petisco e a Tenório.“Eu digo
mesmo que são os Messis e os Ronaldos da indústria conserveira, pena é
que não recebam um salário de acordo com a quantidade e, sobretudo a
qualidade do trabalho que produzem”.Vítor Silva diz que a força de
trabalho, esmagadoramente do sexo feminino, não só é prejudicada
enquanto está no ativo, como quando entra na idade de reforma: “É uma
situação que revolta”.O sindicalista não compreende, igualmente, que
o poder político nada faça perante o que diz ser uma situação pública, e
“não tome medidas sobre esta matéria, que sejam através da criação de
medidas na região, ou da sua influência dentro destas empresas, que
concorrem a apoios públicos regionais, nacionais e europeus, mas depois
esquecem-se de cumprir com a sua obrigação social”.Um dos cartazes
empunhados pelas trabalhadoras afirmava que o MAIS - Mecanismo de Apoio
ao Incremento Salarial, anunciado pelo presidente do Governo Regional
dos Açores aquando de uma visita à empresa em 2023, de nada serviu.“O
MAIS não serviu de nada. A resposta da empresa à proposta da SITACHET
foi que já procedeu a atualização do salário em 5.7%, mas isto é
referente à atualização do salário mínimo praticado na região”, assinala
Vítor Silva.Criada em 1961, a Cofaco emprega mais de 300 pessoas, produzindo anualmente cerca de 50 milhões de latas de conserva.