Tour de 2025 vai ser edição 100% francesa com Mont Ventoux e o col de la Loze

29 de out. de 2024, 17:00 — Lusa/AO Online

Pela primeira vez em cinco anos, o Tour vai ser 100% disputado nas estradas francesas, entre 05 de julho, quando parte de Lille, para uma ‘Grande Boucle’ com dois contrarrelógios individuais, um dos quais em montanha, sete finais em alto e a conclusão nos Campos Elísios, após uma etapa mais longa do que tradicionalmente em Paris.Após três partidas seguidas no estrangeiro, de Copenhaga, de Bilbau e Florença – e antes de partir de Barcelona – e de um inédito final em Nice, devido aos Jogos Olímpicos na capital, o pelotão vai enfrentar, nas três semanas, até 27 de julho, 3.320 quilómetros.“Não há um milímetro fora das nossas fronteiras. Alguns dirão: 100% francês, não deveria ser sempre assim?”, disse o diretor do Tour, Christian Prudhomme, advertindo que as partidas no estrangeiro oferecem “brilho” à corrida no estrangeiro.Depois da “magnífica escapadela” a Nice, devido a Paris2024, o regresso aos Campos Elísios já era conhecido, tal como a partida em Lille, mas a derradeira etapa pode ‘absorver’ um pouco do percurso da prova de fundo de estrada dos Jogos, com uma desejada incursão ao Montmartre.O primeiro ‘crono’, plano, de 33 quilómetros, em Caen, na quinta etapa, vai ser o primeiro ‘filtro’, dois dias antes da chegada ao Mûr-de-Bretagne, antes se dirigir para o Puy-de-Dôme e para os Pirenéus.Estes prometem ser dias desafiantes até para o esloveno Tadej Pogacar (UAE Emirates), que vai procurar o seu quarto título, provavelmente frente ao bicampeão dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), na cronoescalada da 13.ª etapa, entre Loudenvielle e Peyragudes, com uma subida de 11 quilómetros.A dificuldade aumenta no dia seguinte, com a primeira chegada a Luchon Superbagnères desde 1989, depois de subidas ao Tourmalet, Aspin e ao Peyresourde.O Tour segue depois para os Alpes, começando a terceira e última semana com a chegada ao Mont Ventoux, um dos seus cumes mais emblemáticos, num regresso ao percurso desde 2013 – a chegada a este topo em 2016 foi cancelada devido ao vento.A etapa ‘rainha’ está marcada para 24 de julho, com os 171 quilómetros a partir de Vif, com subidas aos col du Glandon, de la Madeleine e a chegada ao ‘gigante’ col de la Loze, numa tirada com mais de 5.500 metros de altimetria positiva acumulada, antecedendo nova ‘odisseia’ entre Albertville e La Plange, que não aparecia no percurso desde a vitória de Lance Armstrong em 2002.“As etapas de montanha são realmente muito difíceis e isso vai ser compensado com alguns dias planos”, reconheceu o ‘arquiteto’ do percurso, Thierry Gouvenou.Questionado sobre a quem se adequa mais este traçado, o antigo corredor francês foi taxativo: “Nunca nenhum ciclista mediano ganhou o Tour. Neste momento, o Pogacar está acima dos demais. Ele destacar-se-ia em qualquer terreno e acho que assim fará no próximo ano, com a esperança de que Vingegaard volta ao seu melhor nível”.No total, serão 3.320 quilómetros, sete com chegadas em alto, com travessia do Maciço Central, Pirenéus e Alpes, dois contrarrelógios, um deles em altitude, e imensas pequenas subidas ao longo do percurso para evitar o tédio do plano.“Não é que não queiramos que os sprinters vençam, mas queremos que as suas equipas trabalhem, que as etapas não estejam escritas por antecipação”, frisou Prudhomme, lamentando o aborrecimento de várias etapas da última edição.Pelo caminho, o Tour de 2025 vai homenagear as glórias gaulesas, como Jacques Anquetil com a meta em Ruán, onde vivia e morreu em 1987, a travessia de Yffiniac, local de nascimento de Bernard Hinault, e a partida em Saint-Méen-le-Grand, terra natal de Louison Bobet, o primeiro corredor a vencer três edições.A chegada visa também recordar, no centro da capital, Bernard Thevenet, o primeiro a erguer os braços na estreia dos Campos Elísios, há 50 anos.