"Todos somos migrantes"

Papa/Espanha

Hoje 11:41 — Lusa/AO Online

"Todos, de algum modo, somos migrantes, todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial. Ajudemo-nos a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos, contribuindo com o que estiver ao alcance de cada um", disse Leão XIV.O Papa falava num encontro com imigrantes em Tenerife, no arquipélago espanhol das Canárias, que lida diariamente com a chegada de pessoas a bordo de embarcações precárias conhecidas como 'pateras' ou 'cayucos', oriundas das costas africanas.Leão XIV agradeceu ao Governo de Espanha, às autoridades locais e diversas instituições, assim como a "tantos homens e mulheres de boa vontade" por tornarem possível "ajuda humanitária concreta, que devolve a esperança e dignifica tantas pessoas" nas Canárias, como acontece no centro "As Raízes" que hoje visitou, um antigo quartel militar transformado em 2021 em centro de acolhimento de migrantes que chegam ao arquipélago em 'pateras'.Segundo dados divulgados por um responsável do centro, já passaram por "As Raízes", onde trabalham 600 pessoas, mais de 70 mil migrantes desde 2021, "cada um com uma história, para um primeiro acolhimento digno".Durante a visita, o Papa ouviu vários testemunhos de migrantes, que agradeceram à Igreja Católica, à comunidade local, às organizações e "todas as pessoas solidárias" o acolhimento e "um mão estendida" à chegada às Canárias."Que as fronteiras não se transformem em muros de indiferença", pediu uma das imigrantes que hoje se dirigiu ao Papa.Leão XIV termina hoje uma visita a Espanha que o levou a Madrid, Barcelona e às Canárias.O Papa chegou na quinta-feira ao arquipélago para dois dias de uma agenda totalmente dedicada à imigração e ao fenómeno das 'pateras'.Leão XIV está a cumprir uma promessa do antecessor, Francisco, que manifestou o desejo de ir às Canárias para dar visibilidade ao problema da imigração e, em concreto, das 'pateras'.Em 2025, segundo dados oficiais, chegaram 17.788 pessoas em 'pateras' às Canárias, depois dos recordes de 2023 e 2024, quando foram 39.910 e 46.843, respetivamente. Outras 3.100 morreram no mar no ano passado, segundo a ONG Caminando Fronteras, que classifica a "rota das Canárias" a rota de imigração mais mortal do mundo.