Todos os imigrantes passam a ter acesso ao subsídio social de mobilidade nos Açores
17 de jan. de 2025, 13:21
— Lusa/AO Online
O
subsídio em causa destina-se ao transporte aéreo entre os Açores e o
continente e a Madeira, pelo qual os beneficiários pagam um preço
reduzido.A proposta em debate e votação –
aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa dos Açores a 13 de
dezembro passado, com a referência de entrada em vigor juntamente com a
lei do Orçamento do Estado para 2025, já publicada em Diário da
República – alarga o acesso ao subsídio social de mobilidade a todos os
imigrantes residentes nos Açores há mais de seis meses.Já
antes o Governo Regional tinha defendido uma “clarificação” da lei que
regula o subsídio social de mobilidade, de forma a garantir que “todos
os residentes” no arquipélago tivessem direito ao apoio,
independentemente da nacionalidade.Até
agora, por lei, o subsídio social de mobilidade só abrangia cidadãos
portugueses, da União Europeia (UE), dos Estados que fazem parte do
Acordo de Schengen (Noruega, Islândia, Liechtenstein e Suíça) e dos
Estados com os quais a UE e Portugal têm acordos de cooperação e de
amizade (caso do Brasil), deixando de fora um número total estimado em
2.500 pessoas – o que, segundo as contas da deputada Inês Sousa Real
(PAN), significava que mais de 60% dos imigrantes ficavam de fora.No
debate da proposta realizado na Assembleia da República, o PS
lembrou que a exclusão nunca foi executada desde que o subsídio social
de mobilidade foi criado, em 2015.Porém,
já com o atual Governo (PSD/CDS-PP) em funções, vários imigrantes
residentes nas regiões autónomas têm sido excluídos nos últimos meses,
de acordo com notícias veiculadas no Diário de Notícias e nos canais
regionais da RTP nos Açores e na Madeira.A
exclusão decorre do facto de os CTT – onde é levantado o reembolso da
diferença entre o valor pago inicialmente pela viagem e o valor definido
para os residentes - considerarem que o subsídio em causa apenas
abrange cidadãos nacionais, oriundos da União Europeia ou de países com
tratados de livre circulação com Portugal (como é o caso do Brasil).O
PSD justificou a alteração com a necessidade de deixar explícito, em
letra de lei, que o subsídio se aplica a todos os imigrantes que residam
há mais de seis meses na região.Isto
porque, entretanto, começou a fazer-se uma “interpretação restrita e
rigorosa” da lei, como lembrou a deputada Isabel Mendes Lopes (Livre),
defendendo que “ninguém nos Açores fique privado do subsídio” social de
mobilidade.“A lei estava mal feita.
Felizmente, ao longo de nove anos, nunca foi aplicada, já que é
completamente injusta”, concordou o deputado Fabian Figueiredo (BE).“Esses
2.500 imigrantes residentes nos Açores estão perfeitamente enquadrados e
integrados, é de justiça que naturalmente acedam a este subsídio de
mobilidade”, destacou o deputado Paulo Moniz (PSD), lamentando a
“injustiça”, que tem resultado numa “discriminação inaceitável, quiçá
inconstitucional”.Pela IL, o deputado
Albino Ramos sublinhou a necessidade de assegurar que a lei não
discrimina ninguém. “Votar contra a proposta seria o mesmo do que dizer
que há residentes de primeira e de segunda”, frisou.Corroborando
o fim da discriminação, PCP e CDS-PP alertaram, por seu lado, que a
atual lei exclui do acesso ao subsídio alguns estudantes, “em função da
idade”.O debate ficou marcado por desvios
ao tema na ordem do dia, que mereceram o reparo do presidente da
Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco. A
intervenção do deputado açoriano Miguel Arruda (Chega) levou Marina
Gonçalves (PS) a pedir que os desvios da ordem do dia sejam apreciados
em conferência de líderes, pedido que foi subscrito por Aguiar-Branco e
apoiado também pelo BE.“Tenho chamado
várias vezes à atenção [sobre as] figuras regimentais [serem] usadas de
forma desviante”, notou, pedindo a todos os deputados e deputadas que
façam “um exame de consciência”.A
intervenção de Aguiar-Branco foi criticada pelo líder parlamentar do
Chega, Pedro Pinto, que considerou tratar-se de “um condicionamento do
discurso” político e prometeu “continuar a fazer apartes”, havendo ou
não chamadas de atenção.“Isto não tem a
ver com liberdade de expressão, mas com a regra da ordem do dia: o
regimento diz que não nos devemos desviar do assunto em discussão”,
lembrou Aguiar-Branco, assumindo-se como “guardião da liberdade de
expressão”.