PS, Chega e PCP dizem que relatos desmentem garantias deixadas pelo ministro da Educação
Hoje 11:52
— Lusa/AO Online
Os partidos falavam no debate de urgência, no
Parlamento, marcado pelo PCP sobre as classificações nos exames
nacionais depois de o ministro da Educação, Fernando Alexandre, ter
afirmado que todos os exames nacionais do ensino secundário estão
classificados e ter afastado alterações ao calendário do acesso ao
ensino superior.A líder da bancada
comunista, Paula Santos, disse ter recebido denúncias de que “há
professores que ainda aguardam que a plataforma publique itens para
serem classificados”.“Estas foram
denúncias que acabámos de receber e que demonstram que, efetivamente, os
problemas estão longe de estar resolvidos”, afirmou, pedindo ao Governo
que esclareça também se foram avaliadas provas incompletas, sem todas
as folhas de resposta preenchidas pelos alunos.Na
intervenção que encerrou o debate, Paula Santos acusou o ministro de
“fugir às respostas necessárias” e apontou que haverá um novo momento de
escrutínio parlamentar na terça-feira, com a audição de Fernando
Alexandre na Comissão de Educação.Já perto
do fim do debate, o deputado socialista Porfírio Silva pediu a
distribuição de uma notícia que referia um adiamento dos prazos de
candidatura na Universidade de Aveiro, com o objetivo de desmentir a
garantia de que não haverá qualquer alteração ao calendário de acesso ao
ensino superior.O deputado do Chega Rui
Cardoso acusou Fernando Alexandre de “faltar à verdade”, relatando que,
hoje de manhã, teve “conhecimento de ‘e-mails’” de escolas dirigidos aos
encarregados de educação a reportar que não têm qualquer resposta do
Júri Nacional de Exames.Pelo Chega, também
interveio antes André Ventura, que afirmou que o ministro da Educação
escolheu atirar as culpas “para toda a gente, menos para si próprio”,
argumentando que quem “não percebe que quem tutela a educação tem a
responsabilidade” de dar resposta a professores, estudantes e famílias
“está a falhar na sua função”.Filipa
Pinto, do Livre, afirmou que “nem as palmas de pé da bancada do PSD
salvam” o ministro da Educação, numa alusão à ovação de pé que os
partidos do Governo fizeram à intervenção de Fernando Alexandre no
debate.A deputada pediu ainda ao ministro
da Educação que garanta que os alunos tenham acesso gratuito não só à
prova como também à sua reapreciação.Durante
o debate, a deputada da IL Angélique de Teresa afirmou que o ministro
da Educação “conseguiu o pleno num processo que tinha a obrigação de ser
bem gerido, mas chumbou”, ao “desvalorizar o que se estava a passar” e
adiar o “calendário dos exames nacionais sem olhar para o do ensino
superior”.Aida Carvalho, do PS, afirmou
que os socialistas “nunca foram contra a digitalização” dos exames, mas
recusou que “em nome de um discurso reformista se transformem alunos,
professores e escolas em meras cobaias de experiências mal concebidas”.Do
lado dos partidos do Governo, o social-democrata Pedro Alves acusou o
PS de uma “indignação oportunista” por ter sido “quem definiu a
transição digital da avaliação” dos exames e o centrista Paulo Núncio
defendeu a atuação de Fernando Alexandre, mas pediu a garantia, perante a
preocupação das famílias, de que “nenhum aluno será prejudicado no
acesso ao ensino superior”.O deputado
único do BE, Fabian Figueiredo, culpou o ministro por tudo o que falhou
neste processo e antecipou que a Comissão Parlamentar de Inquérito
proposta pelos bloquistas vai avançar: “Vemo-nos na Comissão Parlamentar
de Inquérito”, disse.Inês de Sousa Real,
deputada única do PAN, questionou o ministro se as provas poderão
efetivamente ser automaticamente consultadas por todos os estudantes e
Filipe Sousa, do JPP, considerou estar em causa um problema de confiança
no Estado.