Tim Madeira e António Alves da Costa expõem na Lagoa
3 de abr. de 2023, 08:37
— Ana Carvalho Melo
A vela de um antigo barco bacalhoeiro da Terra Nova está na génese da
exposição “Que longe estou do que fui há uns momentos” de Tim Madeira e
António Alves da Costa que está patente no Convento de Santo
António na Lagoa.Os trabalhos apresentados nesta exposição resultam
da fusão da pintura de Tim Madeira com a fotografia de António Alves da
Costa, que se inspiraram na “Ode Marítima” de Fernando Pessoa.“A
‘Ode Marítima’ de Fernando Pessoa foi caminho, embora quando se olhe
para o resultado das nossa obras sobressaia o experimentalismo”, revelou
António Alves da Costa, explicando que todas as obras em exposição
surgem num trabalho a quatro mãos, em que as diferenças entre ambos se
destacam e complementam, num exercício de cumplicidade que se foi
construindo.“Funcionamos juntos até ao término das obras. Umas vezes
partimos da fotografia e depois eu pinto, outras vezes a vela já está
pintada quando o António decide onde colocar a fotografia”, descreveu
Tim Madeira. Como descreve João Paulo Constância, no catálogo da
exposição, “Tim Madeira, um multifacetado artista que se reparte entre a
arquitetura, a pintura e a escultura, é , assumidamente um explorador
irreverente e inquieto, que se entrega à transformação da cor e da
forma, recriando a existência dos materiais, que constrói e desconstrói,
com mestria e sentimento”.Enquanto António Alves da Costa “capta a
vida e o mundo pelas várias objetivas da sua câmara fotográfica e
contorce as perspetivas usando as múltiplas aberturas e velocidades da
sua imaginação. E assim, concorrem ambos para a construção de objetos
artísticos, muito livres, algo aleatórios e experimentais, numa espécie
de integração focal de técnicas e olhares”.A exposição que agora é
apresentada na Lagoa já passou por outros locais no continente,
alterando-se e adaptando-se sempre ao local onde é apresentada.“A
exposição nasceu em 2018, tendo estado exposta no Centro Cultura Palácio
do Egito em Oeiras, depois esteve em Setúbal e no Centro Cultural de
Cascais” contaram, explicando que neste trajeto “há peças que vão
saindo, outras que vão ficando, mas em cada exposição vamos criando
novas peças”.Nesse sentido dão o exemplo da a instalação “Ah, todo o
cais é uma saudade de pedra!” que foi criada especialmente para a
exposição no Convento de Santo António a partir de materiais recolhidos
nas praias de São Miguel. E sobre as peças de forma irregular que
criaram usando a vela como tela, referem que representam a sua forma de
experimentar e criar a arte.“Queremos criar um impacto visual, é
como se fosse no fundo a nossa ode, a nossa viagem. E mostrar que a arte
não é estanque podem-se usar os mais variados materiais e formatos”,
começa por dizer AntónioAlves da Costa.“Nós queremos experimentar e criar coisas”, conclui Tim Madeira.A mostra fica patente até dia 1 de junho 2023.