Tiago Torres não quis passar vergonha e deu show na sua estreia
Estoril Open
20 de jul. de 2026, 16:49
— Lusa/AO Online
“Eu disse
ao [treinador] Vasco [Martins]: 'Estou aqui a passar uma vergonha'.
Dezoito minutos e estava 4-1, não estava a conseguir jogar, ele jogava
muito rápido e estava a custar-me muito a habituar-me ao estilo de jogo
dele. E só pensei para mim, tenho que tentar dar aqui um bocadinho de
show a esta malta que veio ver. Não quero estar a jogar a primeira vez
no Estoril Open e perder em 40 minutos. Portanto, deu o meu melhor e no
final deu”, assumiu. O campeão nacional e
430.º do ranking mundial venceu Basilashvili (135.º), por 6-4 e 6-2, e
admitiu que houve algum demérito do adversário no arranque da sua
reviravolta, depois de o georgiano cometer “três, quatro erros básicos
de quem estava meio desligado”. “Eu
consegui meter-me e quando ele tentou ligar já foi muito tarde,
basicamente foi isso. Acho que foi mais no início demérito dele do que
mérito meu. Depois obviamente meti-me no jogo e correu lindamente, mas
no início foi claramente para mim demérito dele”, assumiu. Confessando
que o seu diabrete lhe diz ao ouvido para ir festejar e o anjinho que
“há jogo na quarta”, frente ao chileno Alejandro Tabillo, e tem de se
acalmar, Torres confessou que “não é nada fácil” gerir as emoções num
encontro destes. “Eu ganhei o primeiro set
e eu assim, e agora? Será que dá para ganhar dois? Vou ganhar dois?
Passa muita coisa. Uma coisa é estar a jogar os torneios que eu estou
habituado a jogar, em que eu já estou habituado a ganhar vários jogos e
habituado a perder, é vida. Mas nestes torneios, claramente, quando fiz o
4-4 no primeiro set, pensei, dá para ganhar? Se calhar dá, não sei.
Muitas emoções, consegui gerir bem, felizmente”, afirmou.Torres,
de 24 anos, assumiu que não foi fácil gerir a emoção durante o encontro
e até antes, encontrando-se “num turbilhão de emoções”. “Não
estou em mim sequer que entrei no Estoril Open, o quanto mais ganhar
uma ronda. Foi brutal, nunca tinha jogado com tanta gente, já tinha
jogado com 200, 300 pessoas. Nunca com um estádio basicamente cheio. No
início foi muito complicado, estava muito nervoso, mas com o andar do
jogo consegui mostrar bom ténis e conseguir ganhar. Estou muito feliz”,
afirmou.Convidado da organização, quando
pensava apenas em poder jogar a qualificação, Tiago Torres confessou que
teve “dois dias a digerir isto tudo” e que domingo nem treinou “nada de
especial”, por estar “tão nervoso”.“Estou
emocionado, aqui à vossa frente não, mas mais ali atrás, hei de chorar,
não sei. É o trabalho de muitos anos, de pessoas, muitas pessoas que
acreditaram em mim, que deram tudo por mim, do meu pai, que viaja sempre
para me ver jogar, a federação tem-me ajudado muito também”, referiu.Depois
de ter disputado o campeonato universitário norte-americano, Tiago
Torres tornou-se profissional a tempo inteiro há um ano e tinha como
objetivo entrar agora no top 500, algo que já conseguiu, com a vitória
de hoje a garantir a entrada no top 400. “Tem
sido um ano acima das expectativas. Não só em termos de ranking, até
podia não ser em termos de ranking, podia ser em termos de trabalho, em
termos de nível que estou a jogar. Às vezes o ranking não condiz bem com
o nível que estás a jogar, mas felizmente eu acho que estou a jogar
melhor do que o meu ranking, e isso é muito importante, mas tenho de
mostrar dentro do campo, não é só nos treinos, portanto é dia a dia e
continuar”, concluiu.