Tiago Machado continua a pedalar em segurança à espera da Volta a Portugal
Covid-19
6 de mai. de 2020, 16:44
— Lusa/AO Online
É da freguesia de
Abade de Vermoim, na sua terra natal de Vila Nova de Famalicão, no
distrito de Braga, onde vive, que Tiago Machado parte para cada treino
em cima da bicicleta, uma experiência que o atleta da Efapel já cumpria
antes de ser levantado o estado de emergência, que vigorou em Portugal
entre 17 de março e 3 de maio.Os
ciclistas de alto rendimento já podiam realizar treinos individuais
durante o período em que vigorou o estado de emergência, que o ciclista
explica, em entrevista à Lusa, ter sido "um período fora do normal".Neste
tempo, evitou "sair para a estrada com chuva ou o piso molhado". "Não
queria correr riscos desnecessários, sabíamos que o Serviço Nacional de
Saúde estava ‘pela hora da morte'. Uma simples queda podia levar-me lá",
refere.Segundo o corredor, os novos
tempos, que poderão trazer mais ciclistas para a estrada, terão de
trazer a consciência "de que a covid-19 ainda não passou" e que é
preciso manter o distanciamento social."Tenho
muito receio de ficar doente. Sempre que vejo alguém ao longe, olho
para trás para ver se posso ir para outra faixa de rodagem, se não der,
abrando e espero que haja tempo, ou viro [para outra rua] mal possa",
conta, sobre um estado de espírito que "vai durar enquanto o consciente
se lembrar que é para andar à distância".Mesmo
com "muito medo disto", e depois de alternar treinos na estrada com
treinos em casa, no rolo, com ou sem auxílio de plataformas virtuais de
simulação de circuitos, os treinos na rua permitirão não só "manter a
forma" como também "desconectar do que se vê na comunicação social, que é
só covid-19".Com a incerteza a pairar
sobre o calendário competitivo, suspenso desde março, o ciclista de 34
anos lembra que a Volta a Portugal é "o objetivo máximo da equipa, e de
todas as equipas nacionais", e, para já, tem feito "figas" para que a
prova, para já marcada para decorrer de 29 de julho a 09 de agosto,
possa realizar-se.Além do "espetáculo" que
Machado, expectante "das novas normas para saber o que vai mudar na
modalidade", espera que o pelotão possa dar, esta corrida é também "a
grande montra do ciclismo nacional"."É
onde grande parte dos patrocinadores vêm o investimento ter retorno, e
seria muito mau para o ciclismo e o desporto em geral se a Volta não
existisse. Mesmo quem não é um fã assíduo, naqueles 15 dias assiste à
Volta, é o grande evento do verão. Vamos ter fé que vai estar na estrada
este ano", aponta, esperançoso.Além de
evitar outras pessoas quando sai "exclusivamente" para os treinos, num
momento em que não se lembra "de estar com amigos ou família" sem ser a
mulher e o filho, Tiago Machado tem ‘fugido' também de "pessoas que
querem os seus 15 segundos de atenção".O
ciclista refere-se a comentários nas redes sociais, em que "pessoas que
não têm um mínimo de educação vêm destilar ódio", ao pedirem-lhe "para
ficar em casa". "Mas depois pedem isto a um atleta profissional, e vamos
pesquisar no Strava, por exemplo, e vê-se que estas pessoas faziam
treinos na mesma", atira.