Tiago Antunes diz-se vítima de cancelamento e abdica da Provedoria de Justiça
Hoje 11:42
— Lusa/AO Online
Em
artigo de opinião publicado no semanário Expresso, Tiago Antunes
desejou, “sinceramente, que muitas pessoas qualificadas continuem a
disponibilizarem-se para servir a causa pública”.“Cada
vez tenho mais dúvidas, porém. Os deputados desrespeitam acordos,
brincam com o bom-nome das pessoas e alimentam campanhas persecutórias
absolutamente infundadas e ridículas. Assim, não contem comigo”, lê-se.Há
cerca de uma semana, a eleição do professor universitário e
ex-governante para o cargo de provedor de Justiça ficou aquém dos
necessários dois terços do parlamento, tendo apenas 104 votos favoráveis
num total de 230 deputados.Fonte
parlamentar disse na altura à agência Lusa que o candidato indicado pelo
PS após acordo com o PSD, teve 86 brancos e 36 nulos no sufrágio por
voto secreto, quando teria de alcançar 154 votos a favor para atingir a
maioria qualificada.“Em suma, só avançaria
para a Provedoria de Justiça na base de um acordo alargado quanto ao
meu nome. Esse acordo existiu e foi firmado, há cerca de nove meses,
diretamente entre os líderes do PS e do PSD. Infelizmente, não foi
honrado”, lamentou Tiago Antunes.Para o
próprio, “pior do que isso” foi, “ao longo deste processo”, ter sido
”alvo de uma campanha vil, assente em falsidades e absolutamente
descabida”. “Chegou a especular-se que o
líder do PS — que me desafiou para esta candidatura e a quem agradeço a
confiança que em mim depositou ao longo de todo o processo — não teria
ficado desagradado com o resultado. Não houve limites para o ridículo”,
continuou. O antigo secretário de Estado
de vários executivos socialistas escreveu que vai continuar na
universidade, fazer aquilo de que gosta — “ensinar Direito”,
mostrando-se orgulhoso da “vida profissional, uma carreira académica e
uma folha de serviços prestados” ao país.“Por
fim, foi evocado o risco de, um dia, eu ter de me pronunciar, enquanto
provedor de Justiça, sobre uma eventual queixa ou pedido de
responsabilidades ao Estado português por parte de José Sócrates”,
lamentou.Tiago Antunes candidatou-se a um
cargo que está por preencher desde o início da presente legislatura,
quando Maria Lúcia Amaral o deixou para desempenhar as funções de
ministra da Administração Interna.No
sábado, o secretário-geral do PS indicou que o seu partido estava em
diálogo com Tiago Antunes para avaliar uma nova candidatura a Provedor
de Justiça, elogiando uma “personalidade de grande integridade” e “sem
qualquer pendor partidário”.