Theresa May propõe período de transição de dois anos após saída britânica
22 de set. de 2017, 16:15
— Lusa/AO online
Durante este período de
transição, as relações entre a UE e o Reino Unido permanecerão
inalteradas, de forma a assegurar uma saída "harmoniosa e ordenada" do
país do bloco comunitário, indicou Theresa May. Este discurso de May em Florença era aguardado com grande expectativa. Durante
a semana, o gabinete da primeira-ministra britânica indicou que a
política ia apelar ao "sentido de responsabilidade" dos líderes europeus
para avançar nas negociações para a saída do Reino Unido da UE e
encontrar um acordo satisfatório para ambas as partes. "Se
pudermos fazer isso, então, quando este capítulo da nossa história
europeia estiver escrito, será lembrado não pelas diferenças que
enfrentámos, mas pela visão que mostrámos; não pelos desafios que
perdemos, mas pela criatividade que usámos para superá-los; não por um
relacionamento que acabou, mas uma nova parceria que começou", segundo
excertos do discurso de Theresa May revelados durante esta semana. Na
intervenção hoje proferida naquela cidade italiana, May disse que o
sucesso das negociações do 'Brexit' será "no interesse de todos". "Estamos
a atravessar um período crítico", mas "quando nos reunimos, podemos
alcançar bons resultados", declarou a líder britânica, acrescentando que
deseja alcançar um futuro "melhor" para todos os cidadãos europeus. O
Reino Unido deve deixar a UE a 29 de março de 2019, ou seja, dois anos
após o início do processo de divórcio liderado pelo governo conservador
de Theresa May. O tecido económico britânico tem defendido a
existência de um período de transição após essa data, de forma a ter
tempo de negociar uma nova parceria. Em Florença, e sobre um dos
principais pontos de bloqueio nas negociações do 'Brexit', Theresa May
assegurou que o Reino Unido irá honrar os seus compromissos financeiros
após a saída da UE, mas sem avançar números. May sublinhou que
nenhum país deveria "pagar mais ou receber menos" no âmbito do atual
orçamento comunitário, em vigor até 2020, numa altura em que a UE
reclama uma fatura total para a saída britânica que oscila os 60 mil
milhões e os 100 mil milhões de euros. Os 'media' britânicos
chegaram a avançar que a primeira-ministra ia sugerir que o Reino Unido
contribuísse com 20 mil milhões de euros nos próximos dois anos para o
orçamento europeu para continuar a ter acesso ao mercado único durante
esse período. No entanto, a política britânica não indicou números em
Florença. A primeira-ministra também anunciou que deseja que os
tribunais britânicos "tenham em consideração" as deliberações do
Tribunal de Justiça da União Europeia nas suas decisões relativas a
direitos de cidadãos europeus após o 'Brexit'. "Quero integrar o
nosso acordo [de saída da UE] na lei britânica e garantir que os
tribunais britânicos possam referir-se diretamente a ele (...) e possam
referir o Tribunal de Justiça da União Europeia", afirmou.