Theresa May demite-se da liderança do Partido Conservador
24 de mai. de 2019, 09:15
— Susete Rodrigues/AO Online
A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou esta sexta-feira que vai
demitir-se da liderança do partido Conservador, desencadeando uma
eleição interna cujo vencedor vai assumir a chefia do governo.A demissão da liderança será formalizada na sexta-feira, 07 de junho, para que a eleição comece na semana seguinte. Numa
declaração à porta da residência oficial, em Downing Street, a
primeira-ministra disse ter feito o possível para convencer os deputados
a aprovar o acordo que negociou com Bruxelas para fazer o Reino Unido
sair da União Europeia, mas que, "infelizmente", não conseguiu. “Tentei
três vezes. Penso que fiz bem em persistir, mesmo quando as
probabilidades de insucesso eram altas. Mas é claro agora para mim que é
melhor para o país que um novo primeiro-ministro lidere esse processo”,
acrescentou.May mantém-se em funções até
que o partido tenha eleito um novo líder, o que não deverá acontecer até
o final de julho, incluindo durante a visita de Estado do presidente
dos EUA, Donald Trump, entre 03 e 05 de junho. Numa
primeira fase, os deputados candidatos a líder são sujeitos a uma série
de votações dentro do grupo parlamentar até restarem apenas dois, e só
depois é feita uma eleição geral com os votos dos militantes do partido.
Enquanto primeira-ministra, não pode
renunciar até que esteja em posição de dizer à rainha Isabel II quem
esta deve nomear como sucessor.May já
tinha prometido em março que iria sair, mas na altura pediu para "acabar
o trabalho", assumindo como missão implementar o resultado do referendo
de 2016 que determinou o ‘Brexit’. Mas a
pressão sobre Theresa May aumentou nos últimos dias, incluindo dentro do
governo e de deputados até agora fiéis, devido à perspetiva de o acordo
de saída da União Europeia (UE) ser chumbado no parlamento por uma
quarta vez. Apresentada na terça-feira, a
nova proposta de lei para o ‘Brexit’ estava prevista para ser votada a
07 de junho e incluía como novidade a possibilidade de voto sobre um
novo referendo, o que desagradou a vários ministros. As
três anteriores propostas de ‘Brexit’ negociadas pela primeira-ministra
britânica com Bruxelas foram rejeitadas por maiorias parlamentares,
conduzindo a um impasse que obrigou Londres a prolongar o prazo de saída
da União Europeia até 31 e outubro.
Noticia atualizada às 11h12