Texto “não é intocável” e revê-lo não é um drama ou uma traição
Constituição/50 anos
Hoje 10:51
— Lusa/AO Online
Esta
posição foi assumida por José Pedro Aguiar-Branco, na Assembleia da
República, num discurso na sessão solene dos 50 anos da Constituição da
República Portuguesa (CRP), aprovada a 02 de abril de 1976.O
presidente da Assembleia da República começou por sublinhar que “neste
momento político, mas também mediático, fazer uma intervenção sobre a
Constituição da República é um exercício exigente”, porque mesmo que se
aborde apenas a sua história, “será feita uma leitura política dessas
palavras”.“Neste tema, neste momento,
todas as palavras sobre a Constituição terão segundas leituras. Vão ter
segundas leituras. E podem causar indignação. De uns, de outros, ou
mesmo de todos. Aceito o risco.”, afirmou, acrescentando “não existem
segundas leituras”, mas apenas a “leitura literal”.Aguiar-Branco
frisou que a Constituição é “muito mais do que um texto e as palavras
que a compõem”, sendo a “pedra angular” do sistema político e da
democracia portuguesa e que, ao ter sobrevivido “à prova dos tempos”,
provou que funciona e “merece ser celebrada”.O
presidente da Assembleia da República argumentou que a Constituição
sobreviveu ao longo destes 50 anos, apesar das várias mudanças na vida
do país, porque é “mais flexível e mais abrangente do que muitos
imaginam” e “está pensada, desenhada e escrita, não para contrariar os
tempos, mas para se adaptar aos tempos”, prevendo “as regras, os termos,
as formas e os limites da sua revisão”.O
presidente do parlamento sublinhou que, por saberem que o mundo não é
estático, os deputados da Constituinte “fizeram da revisão
constitucional uma possibilidade” e “não é um drama, ou uma obrigação”.“Não
uma traição ou um dever irrenunciável. Uma possibilidade, livre, ao
alcance deste Parlamento”, enfatizou, recordando depois que o texto
fundamental já foi revisto sete vezes e nenhuma revisão impediu que a
Constituição fosse hoje celebrada.Aguiar-Branco
acrescentou que “se a Constituição for agora revista, é a Constituição a
funcionar” e que o mesmo acontece se o texto fundamental não for
alterado ou se uma revisão for rejeitada e questionou: “Quando é a
própria Constituição que nos pergunta se algo deve ser mudado, quem
somos nós para não querermos ouvir essa pergunta?”.Depois,
o presidente do parlamento defendeu que “a Constituição é respeitada,
mas não é intocável” e que “para ser duradoura, não pode ser imutável”.No
início do discurso, o presidente do parlamento deu ainda nota de que
foram convidados os fotojornalistas que “se distinguiram com o seu
trabalho na cobertura da Assembleia da Constituinte”, afirmando que
estes profissionais, com as suas imagens, contaram a história do texto
fundamental. A referência foi aplaudida por todas as bancadas.