Texas aprova novo mapa eleitoral para favorecer republicanos a pedido de Trump
21 de ago. de 2025, 15:29
— Lusa/AO Online
A
medida, solicitada por Trump, foi aprovada com 88 votos a favor e 52
contra pela Câmara dos Representantes do Texas e deve passar no Senado
local, de maioria republicana, antes de ser promulgada pelo governador
republicano, Greg Abbott.Em minoria no
parlamento texano, os democratas saíram do estado no início de agosto,
refugiando-se em Chicago ou Nova Iorque, para que não fosse atingido o
número necessário de membros para o funcionamento da Câmara dos
Representantes.O regresso permitiu a
organização da votação sobre o texto na quarta-feira, com a proposta de
redistribuição a ser aprovada, como se esperava.
Trump saudou a aprovação como “uma grande vitória” para o Texas, numa
mensagem nas redes sociais, referiu a agência de notícias France-Presse
(AFP).“Estamos a caminho de cinco assentos
adicionais no Congresso e de salvar os vossos direitos, as vossas
liberdades e o vosso próprio país”, afirmou na quarta-feira à noite.Trump
defendeu que mais assentos para o Partido Republicano significam menos
criminalidade, uma economia mais robusta, um direito de possuir armas
mais forte, “felicidade e paz”, indicou a agência de notícias EFE.“O Texas nunca nos dececiona”, acrescentou.O
desafio é grande para Trump, porque se os democratas recuperarem a
maioria na Câmara dos Representantes em Washington terão campo livre
para lançar comissões de inquérito parlamentares e prejudicar o final do
segundo mandato do bilionário republicano.A
maioria na Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso,
decide-se, por vezes, por poucos lugares, pelo que os cinco assentos
adicionais do Texas podem ser decisivos.Dos 38 deputados do Texas em Washington, 25 são atualmente republicanos. A Casa Branca (presidência) espera ter 30 em 2026.A
Câmara dos Representantes tem 435 lugares e os republicanos detêm
atualmente 220, contra 213 dos democratas, havendo dois assentos vagos.Trump voltou a defender o fim do voto por correspondência, que acusa de favorecer supostas fraudes eleitorais.“Cem lugares adicionais irão para os republicanos” se acabar o voto por correspondência, afirmou numa outra mensagem.Para
responder ao Texas, os eleitos da Califórnia, governada pelo democrata
Gavin Newsom, apresentaram na segunda-feira uma iniciativa para
organizar um referendo sobre a alteração do mapa eleitoral do estado
mais populoso do país.Se os eleitores
californianos aprovarem o projeto em 04 de novembro, o parlamento local,
com maioria democrata, poderá adotar um novo mapa que garantirá aos
democratas cinco assentos adicionais no Congresso, tal como no Texas.“A
Califórnia e os californianos têm sido o alvo preferido da
administração Trump e não vamos ficar de braços cruzados enquanto ordena
ao Texas e a outros estados que manipulem as próximas eleições”,
afirmou Newsom num comunicado na segunda-feira.Enquanto
os representantes locais do Texas debatiam o mapa eleitoral, o
representante democrata Chris Turner classificou a iniciativa como “uma
clara violação da Lei dos Direitos de Voto e da Constituição”.A
Lei dos Direitos de Voto foi adotada em 1965 para impedir que os
antigos estados segregacionistas do Sul privassem os afro-americanos do
direito de voto.Os democratas do Texas
denunciaram a vontade dos republicanos de “silenciar os eleitores das
minorias através de uma manipulação racista”.O
novo mapa eleitoral vai diluir os votos dos eleitores afro-americanos e
hispânicos que, na maioria, votam tradicionalmente nos democratas,
argumentaram.Além do Texas, a administração Trump também gostaria de redesenhar a seu favor os mapas de Ohio, Missouri e Indiana.“Florida, Indiana e outros estão a tentar fazer o mesmo”, escreveu Trump nas redes sociais.