Testes rápidos podem ter fiabilidade de 95% se forem moleculares
Covid-19
25 de set. de 2020, 10:27
— Lusa/AO Online
“Há empresas que conseguiram miniaturizar os testes moleculares
realizados em laboratório, com capacidade para os colocar no mercado,
mas os testes com qualidade são caros e não é só mandá-los para as
escolas e para os lares. Não é qualquer pessoa que o pode realizar, como
um teste de gravidez”, disse em entrevista à agência Lusa o
especialista de origem alemã, docente na Faculdade de Medicina da UL. “Os novos testes moleculares rápidos vão custar muito dinheiro”, afirmou.
Os testes rápidos para doenças infecciosas foram desenvolvidos nos anos
80 devido à malária, com um formato semelhante a um teste de gravidez,
mas o que agora se exige para a covid-19 é diferente, alertou o
professor. “É preciso ter cuidado para
saber que tipo de teste é”, defendeu quando questionado sobre a oferta
destes testes, acrescentando que não são todos iguais: “O teste
molecular vai amplificar o gene do vírus e é claro que funciona muito
melhor”. Por ser um teste rápido, não
significa que qualquer pessoa o sabe operar, referiu, manifestando
surpresa com a quantidade de testes (500.000) que a Cruz Vermelha se
propõe distribuir. Além do custo, há que
ter em conta quem vai operar o teste. “Não sei se serão técnicos
enviados pela Direção Geral da Saúde, mas é preciso pessoas
especializadas”, garantiu. Para o médico, o
recurso a testes rápidos é uma tendência e poderá ser útil em várias
circunstâncias, mas a forma como está a usar-se não é ainda muito clara. “Um teste de 15 minutos pode fazer uma grande diferença numa decisão”, reconheceu.
O teste rápido permite, por exemplo, saber no aeroporto, em 15 minutos,
se pode fazer uma viagem de um dia, sem ter de esperar pelo resultado
dois ou três dias ou ficar de quarentena.
Pode também ajudar a manter alguma normalidade numa escola ou num lar,
onde é sempre complexo encerrar instalações, até se apurarem todos os
casos infetados e reinstalar as pessoas, no caso dos idosos.
“Há sempre a possibilidade de falhar algum, mas isso é sempre assim”,
indicou, referindo que os testes rápidos, quando bem aplicados, “podem
ajudar muito”. “Tem é de ser um teste
fiável (molecular). Há testes com fiabilidade de 95%, os que não serão
detetados, os falsos negativos, são poucos”, explicou.
Confessou, no entanto, ter receio de que se pense que todos os testes
rápidos são bons. Por isso, aconselhou cautela na escolha e na aplicação
deste tipo de rastreio.