Testemunha recusa responder em tribunal alegando relação com Sócrates
Operação Marquês
Hoje 17:00
— Lusa/AO Online
Lígia
Correia começou por dizer ao coletivo presidido pela juíza Susana Seca
que não precisava de advogado e explicou que tem uma relação com o
antigo primeiro-ministro desde 2011, com interrupções, e que vivem
juntos desde 2014.Minutos depois, quando
começou a ser questionada sobre factos concretos, Lígia Correia recusou
responder, justificando com a relação mantida entre os dois.A
sessão acabou por ser interrompida e, quando o coletivo de juízes
regressou à sala, Lígia Correia mudou de ideias em relação à presença de
um advogado.“Durante esta pausa refleti e pretendo consultar um advogado”, disse. Com
esta decisão por parte da testemunha, o tribunal decidiu adiar o
depoimento de Lígia Correia para o próximo dia 30 de junho.Antes,
testemunhou Célia Tavares, que disse ter tido uma relação com José
Sócrates entre 2012 e 2014 e que confirmou ter recebido envelopes com
dinheiro, entregues pelo motorista do ex-primeiro-ministro, João Perna,
também arguido neste processo. Célia
Tavares disse que recebeu por diversas vezes à porta de sua casa
envelopes com dinheiro - entre 300 e 400 euros - e cerca de dois mil
euros por transferência bancária. O
dinheiro, acrescentou, seria para pagar despesas pessoais relacionadas
com a casa e com a faculdade, uma vez que nessa altura, em 2012,
frequentava o curso de Direito.Célia Tavares disse ainda em tribunal que fez 17 viagens a Paris, França, tendo conhecido duas casas de José Sócrates.O
antigo primeiro-ministro socialista é um dos 21 arguidos deste processo
e responde, entre outros crimes, por três corrupção, por ter,
alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo
Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.