"Teste do pezinho" detetou 136 casos de doenças raras em recém-nascidos em 2023
13 de dez. de 2024, 12:03
— Lusa/AO Online
Comparativamente
ao ano anterior, foram rastreados mais 2.328 recém-nascidos e
diagnosticados mais sete casos de doenças raras em 2023, adiantam os
dados do programa divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr.
Ricardo Jorge (INSA). Do total dos 136
casos de doença diagnosticados, 46 eram de doenças hereditárias do
metabolismo, 44 de hipotiroidismo congénito, 34 de drepanocitose, seis
casos de atrofia muscular espinal e outros seis de fibrose quística. Em
março de 2021, iniciou-se o estudo-piloto do rastreio neonatal da
drepanocitose (anemia de células falciformes), nos recém-nascidos dos
distritos de Lisboa e Setúbal, tendo em 2022 o estudo-piloto sido
alargado a todo o país, “já que atualmente também no restante território
nacional se verifica um aumento da fixação de imigrantes provenientes
das zonas de risco”, lê-se no relatório publicado no ‘site’ do INSA. “Os
resultados do estudo-piloto traduzem-se numa prevalência ao nascimento
da drepanocitose a nível nacional de 1/2.299 recém-nascidos, para a qual
contribuem significativamente os distritos de Lisboa e Setúbal, onde
obtivemos uma prevalência ao nascimento de 1/978 recém-nascidos”,
adianta.Os dados permitem concluir que
“esta doença está cada vez mais disseminada em Portugal, tal como a
nível Europeu, onde já é considerada um problema de saúde pública, em
muito devido aos movimentos populacionais provenientes de regiões onde a
doença é mais frequente”, daí a importância da sua integração no PNRN
para que “seja possível adotar medidas preventivas o mais precocemente
possível”.Em 2023 teve início o
estudo-piloto para o rastreio neonatal da Atrofia Muscular Espinal em
100.000 recém-nascidos, que foi concluído no final deste ano com uma
prevalência ao nascimento de 1/14.515.Segundo
o INSA, a taxa de cobertura nacional do PNRN mantém-se próxima dos
100%, “o que constitui um excelente indicador de aceitação da população a
este programa nacional de saúde pública”.As
colheitas do “Teste do Pezinho” são efetuadas na sua grande maioria nos
cuidados de saúde primários (86,1%), mas tem-se verificado um aumento
do seu número nos hospitais privados em 2023.Desde
o início do Programa, foram rastreados 4.224.550 recém-nascidos e
identificados 2.678 casos positivos, refere o documento, salientando que
se forem consideradas as 28 doenças rastreadas, encontra-se “uma
prevalência ao nascimento global de 1:681 recém-nascidos [um caso em
1.864 nascimentos]”.O INSA realça que,
“pela qualidade dos seus indicadores, número de patologias rastreadas,
tempo médio de início de tratamento e taxa de cobertura a nível
nacional, considera-se que é, de facto, um programa de grande eficácia
clínica e epidemiológica”.Os grandes
centros urbanos, dos distritos de Lisboa e Porto contribuíram com 48% do
total de nascimentos, refere o documento, assinalando que, desde 2000
se tem verificado um decréscimo na taxa de natalidade, tendo sido 2021 o
ano com o menor número de nascimentos, reflexo da pandemia da covid-19.“O
ano de 2022 traduziu-se num ano de viragem, 2023 acompanha o
crescimento da taxa natalidade, tendo sido contabilizados mais 2028
nascimentos, que no ano anterior”, adianta, acrescentando que, em média
se registaram 7.147 nascimentos por mês.Contudo,
nos primeiros nove meses deste ano, foram registados menos 430
nascimentos face ao período homólogo de 2023, invertendo a tendência dos
últimos dois anos.Neste período, foram
estudados 63.237 recém-nascidos no âmbito Programa Nacional de Rastreio
Neonatal, contra os 63.667 rastreados em igual período de 2023.