Teste de novo míssil russo é resposta ao militarismo europeu
27 de out. de 2025, 11:54
— Lusa/AO Online
“Aqui
não há nada que possa ou deva gerar tensão nas relações entre Moscovo e
Washington”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante a
conferência de imprensa telefónica diária, citado pela agência de
notícias espanhola EFE.“Garantir a
segurança da Rússia é uma questão de importância vital, especialmente no
contexto do ânimo militarista que agora ouvimos principalmente dos
europeus”, afirmou.O Presidente russo,
Vladimir Putin, anunciou no domingo a realização do teste final de um
míssil Burevestnik, num vídeo divulgado pelo Kremlin.“Os
testes decisivos estão agora concluídos”, disse Putin durante uma
reunião com chefes militares, a quem ordenou que começassem a “preparar
as infraestruturas para colocar” o míssil ao serviço das forças armadas
russas.Putin afirmou que o Burevestnik tem um “alcance ilimitado” e é “uma criação única que mais ninguém no mundo possui”.O
teste realizou-se em 21 de outubro e o míssil percorreu 14.000
quilómetros durante quase 15 horas de voo, segundo o Estado-Maior do
Exército russo.O Presidente
norte-americano, Donald Trump, considerou hoje que o ensaio não foi
apropriado, e pediu a Putin que se concentrasse em pôr fim à guerra na
Ucrânia.“Não creio que seja apropriado.
Uma guerra que deveria ter durado uma semana já está quase a fazer
quatro anos. É isto que [Putin] deveria fazer, em vez de testar
mísseis”, disse Trump.O porta-voz do
Kremlin insistiu que o teste efetuado pela Rússia responde aos países
europeus, que acusou novamente de prosseguirem um caminho de
agressividade em relação a Moscovo.“Os
europeus efetivamente encontram-se num estado de histeria, russofobia,
agressividade e belicosidade. É claro que, nestas condições, a Rússia
deve fazer tudo o que for possível para ser capaz de garantir a própria
segurança”, afirmou.Peskov disse que Moscovo se dedica “de forma consequente” a garantir a segurança da Rússia.“É no âmbito dessa missão que se desenvolvem novos equipamentos de armamento, tal como o sistema anunciado”, argumentou.O
porta-voz considerou que o ensaio com o Burevestnik não pode provocar
uma deterioração em relações com os Estados Unidos, que apenas agora
começam a restabelecer-se.“Este processo
complica-se pelas medidas tomadas contra nós (...) Mas, de qualquer
forma, partindo dos nossos próprios interesses, continuamos abertos ao
diálogo”, disse, numa alusão às primeiras sanções aprovadas por Trump
contra a Rússia.Na sequência do anúncio do
ensaio russo, Trump foi questionado hoje sobre se pensa impor novas
sanções, após as adotadas na semana passada contra as duas maiores
petrolíferas russas, Lukoil e Rosneft.“Já o descobrirão”, limitou-se a responder.Em
relação ao anúncio dos militares russos de que o míssil testado
percorreu 14.000 quilómetros, Trump comentou que a Rússia sabe que os
Estados Unidos têm “um submarino nuclear, o melhor do mundo, mesmo em
frente à sua costa”.“Portanto, bem, não tem de percorrer 8.000 milhas [cerca de 12.800 quilómetros]”, insistiu o chefe da Casa Branca.A
Rússia decidiu proceder ao desenvolvimento do Burevestnik quando os
Estados Unidos abandonaram em 2001 o tratado antimísseis, subscrito por
Moscovo e Washington em plena Guerra Fria (1972), para criar o seu
próprio escudo antimísseis.Putin dirigiu
esta semana manobras das forças nucleares russas por terra, mar e ar,
logo após o cancelamento da cimeira de Budapeste com Trump devido à
recusa de Moscovo em cessar as hostilidades na Ucrânia.