Termalismo nos Açores tem “enorme futuro pela frente”
25 de ago. de 2025, 11:00
— Lusa/AO Online
“O
termalismo tem um enorme futuro pela frente, pode ser um dos maiores
setores desta região”, disse hoje à agência Lusa a presidente da
associação, Luísa Pereira.A dirigente
reconhece que a região tem dado “passos importantes” na reabilitação do
património termal, mas ainda há trabalho a fazer, “nomeadamente na
reabilitação de algum património que ainda não está ativo, ou não lhe
foi atribuída nova vida desde a sua desativação, como é o caso [das
termas] do Varadouro [ilha do Faial] ou da Ladeira da Velha [São
Miguel], por exemplo, com potencialidades extraordinárias reconhecidas
por registos escritos”.“Eu penso que vamos
continuar a fazer esse trabalho e o Governo Regional tem estado a
desenvolver também alguma reabilitação neste sentido”, disse.Segundo
Luísa Pereira, os próximos anos “serão muito importantes para o
termalismo regional" e para a região perceber que a valência da
balneoterapia simples é uma mais-valia.“Não
temos de ser iguais aos outros, nem tão pouco temos de ser diferentes,
mas temos de ser únicos. E aquilo que torna o termalismo dos Açores
único é a sua balneoterapia e as suas potencialidades. E, obviamente,
quando falamos numa água termal, falamos sempre num recurso único,
porque, embora as águas termais possam pertencer à mesma família,
físico-quimicamente [...] podem ser completamente diferentes”,
justificou.No arquipélago, no setor
termal, além da vertente da água existem produtos medicinais, como é o
caso da peloterapia, que consiste na aplicação de peloides (argilas ou
lamas) na pele: “Utilizamos um [produto] da família das argilas, nas
Caldeiras da Ribeira Grande, que é uma lama argilosa proveniente da
mineralização constituinte de água, que também é uma mais-valia para os
Açores”.Por outro lado, segundo a
presidente da Associação Termas dos Açores, está a decorrer, desde 2024,
o processo de certificação das águas dos balneários, em parceria com a
Sociedade Portuguesa de Médicos Hidrologistas e a Universidade local.“Eu
creio que, no próximo ano, já será possível termos a certificação
destas águas através da Direção-Geral de Saúde (DGS) e o reconhecimento
para as suas demais valências”, admitiu.O
trabalho consiste na validação científica das propriedades medicinais
das águas termais, porque o conhecimento empírico das suas diferentes
utilidades já existe.Luísa Pereira referiu
que a associação aguarda que o processo seja finalizado, para os
balneários da região aplicarem alguns tratamentos termais mais
direcionados a doenças das vias respiratórias e musculoesqueléticas.“Nas
[Termas das] Caldeiras, [na Ribeira Grande], nós utilizamos a água para
um tratamento capilar, para um tratamento podal e, mais recentemente,
[…] para bebés. Aproveitando a característica da água para a sua
vertente dermatológica, trabalhamos mais na [área da] pele atópica, nas
[situações de] dermatites e psoríases, por exemplo. E, falando
especificamente nas Caldeiras, a sua indicação é mesmo dermatológica”,
especificou.Algumas características das
águas termais açorianas já são conhecidas através de um estudo do
Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores, mas a região nunca avançou
para a certificação pela DGS com vista à “validação da aplicabilidade
de cada água termal”.A fase dos tratamentos prescritos por médicos só acontecerá quando estiver concluído o processo de certificação.Na
região estão identificados 50 fenómenos termais (São Miguel, Terceira,
Faial, Flores e Graciosa), e existem oito estâncias ativas, sendo três
balneários (dois em São Miguel e um na Graciosa).Existem
ainda dois balneários termais sem atividade, um na ilha do Faial
(Termas do Varadouro) e outro no concelho da Ribeira Grande (Termas da
Ladeira da Velha).