Terinov procura captar projetos internacionais para a ilha Terceira
26 de jan. de 2022, 17:16
— Lusa/AO Online
“Podem vir
emparceirar, encontrar clientes e fornecedores no ecossistema da região
mas também, acima de tudo, o nosso objetivo é que percebam que há
condições na nossa região para que se possam instalar cá, para que
possam trazer investimento e para que possam criar massa crítica nos
Açores”, adiantou, em declarações aos jornalistas, o diretor executivo
do Terinov, Duarte Pimentel, à margem do Azores Info Days.O
evento, que surgiu na sequência do acelerador de empresas Azores Accel,
lançado também pelo Terinov, nas áreas da agroindústria e da
biotecnologia, arrancou hoje e estende-se até quinta-feira.A
iniciativa conta com a participação de empreendedores dos Açores (não
só da ilha Terceira, mas também de São Miguel), do continente português e
de outros três países: Espanha, Letónia e Eslovénia.Durante
dois dias, terão oportunidade de visitar empresas sedeadas na Terceira e
reunirem-se com potenciais clientes e parceiros.Com
67 projetos instalados, o Terinov esgotou a sua capacidade física para
acolher novas empresas, mas Duarte Pimentel salientou que a incubação
virtual é uma possibilidade.“Esta ideia de
um ecossistema muito próximo, muito vivo, muito virado para o exterior,
com gente muito nova, mas altamente qualificada, acho que lhes dá aqui
um motivo de terem vontade de trabalhar nesta grande família”, apontou.O
diretor executivo do Terinov admitiu que os “benefícios fiscais que os
Açores oferecem” são um atrativo para a fixação de empresas na região,
mas destacou sobretudo a “nova dinâmica” do ecossistema “empreendedor e
científico” do arquipélago.O parque acolhe já duas empresas que estavam antes sedeadas no continente português e uma que migrou de Silicon Valley.“O
Terinov neste momento tem 11 nacionalidades cá dentro, trabalhamos em
duas línguas, a realidade é essa. E acho que o futuro vai passar um
bocadinho por isto. Não é por acaso que temos aqui nove empreendedores
que não são da região, mas que têm vontade de vir para cá. Acho que
marca qual é o posicionamento do Terinov e a nossa vontade de trabalhar
com o mundo”, sublinhou. A “Plant on Demand” é uma “plataforma online para produtores locais e cooperativas”, que nasceu em Espanha.O
projeto venceu o Azores Accel e Natália Valle Aguirre acredita que pode
encontrar parceiros no Terinov para expandi-lo para os Açores.“Vamos
encontrar pessoas aqui com quem podemos colaborar a muitos níveis.
Acredito que as relações humanas são essenciais para começar em qualquer
mercado e em qualquer lugar. O Terinov tem estes contactos e conhecer
estas pessoas é muito importante para nós, para implementarmos a nossa
solução aqui”, afirmou.O meio mais pequeno permite ter um contacto de maior proximidade com os produtores agrícolas, público alvo do projeto, explicou.“Dá-nos
uma oportunidade de perceber o que se está a passar, de falar com os
produtores e conhecer em primeira mão a sua realidade. Não só
imaginarmos, mas termos contacto com o meio, com a natureza, com o solo,
com os animais. Dá-nos uma noção da realidade e da importância do que
estamos a fazer”, avançou.Formado em
biologia, Rui Cordeiro trabalhou durante vários anos no estrangeiro, mas
as saudades de casa fizeram-no deixar o doutoramento nos Estados Unidos
e regressar à ilha de São Miguel, onde venceu um prémio de
empreendedorismo no parque de ciência e tecnologia da ilha, Nonagon.O
valor do prémio permitiu-lhe lançar a CORE Protein, uma empresa que
quer transformar o soro do leite, habitualmente desperdiçado no fabrico
do queijo, em suplementos de proteína.“Já
temos as tecnologias necessárias para secar o soro, ou a proteína, de
maneira mais fria, para preservar a qualidade das proteínas. Estamos na
fase de patentear essa tecnologia e de escalar a nossa produção”,
revelou.Já instalado no Nonagon, o
empreendedor pondera instalar-se também no Terinov, até porque o parque
tem um laboratório destinado precisamente a empresas de produtos
lácteos.A rede de contactos do Terinov permite, por outro lado, encontrar fornecedores e até investidores.“Vamos
estar reunidos com pelo menos quatro deles, maioritariamente produtores
de soro, que podem tentar tornar-se nossos fornecedores. Vamos tentar
que sejam mais do que fornecedores, porque se eles nos ajudarem a
crescer mais depressa, mais depressa eles tiram benefício”, salientou.