Teresa Salgueiro regressa a sala de espetáculos que inaugurou há 15 anos nos Açores
11 de mar. de 2018, 15:12
— Lusa/AO online
“A
última vez que cantei na Terceira foi precisamente aquando da
inauguração do auditório onde vou cantar agora, que foi inaugurado pelos
Madredeus”, adiantou, em declarações à agência Lusa, a propósito do
espetáculo "Horizonte e a Memória", que leva ao Centro Cultural e de
Congressos de Angra do Heroísmo no dia 23 de março. Do
público açoriano, que diz ser “bastante musical”, guarda boas memórias,
mas também do arquipélago, que mereceu um tema instrumental dos
Madredeus ("As ilhas dos Açores"). “Acho
que os Açores são um território muito especial. O Rob Rombout, um
realizador holandês, fez um filme que se chama ‘Os Açores dos
Madredeus’, em que essas ilhas maravilhosas que estão no meio do Oceano
Atlântico, cheias de bruma, de mistérios, de beleza, de vida, de tantos
recursos, foram visitadas por nós e cantadas por nós”, lembrou.O
concerto, na ilha Terceira, no qual será acompanhada por Óscar Torres
(contrabaixo), Rui Lobato (bateria, precursão e guitarra), Carisa
Marcelino (acordeão) e José Peixoto (guitarra), apresenta o seu segundo
álbum a solo, "O Horizonte", lançado em outubro de 2016, mas também
algumas memórias do grupo a que deu voz durante 20 anos e temas de
músicos portugueses como Amália Rodrigues, Zeca Afonso e Carlos Paredes.“É
um concerto em que o fio condutor é o repertório original, mas que
depois vai apresentando estes arranjos novos, uma leitura desta nossa
memória musical”, revelou. Durante vários anos, a cantora deixou de fora dos seus espetáculos os temas dos Madredeus, mas o público também não os exigia.“Só
muito recentemente comecei a juntar ao concerto alguns temas dos
Madredeus, porque achei que já fazia sentido. Já tinha feito um percurso
que já me permitia voltar a visitar e a oferecer ao público e a mim
mesma a alegria de cantar algumas dessas canções, porque as pessoas
naturalmente esperam que assim seja, muitas delas conhecem-me daí”,
explicou.A
música portuguesa, segundo a cantora, “não está muito presente nos meios
de comunicação, mas há um património extraordinário de música que é bom
continuar sempre a visitar”.“Hoje
em dia há outros suportes de imagem e de som, mas a rádio e a televisão
são os meios tradicionais, a que a larga maioria da população continua
ligada, e sem dúvida que seria fundamental que fosse oferecido ao
público em geral uma imagem da música, tanto nacional, como
internacional, bastante mais vasta e coincidente com a realidade”,
defendeu.Depois
de um “percurso especial” de 20 anos com os Madredeus, Teresa Salgueiro
iniciou uma carreira a solo, lançando, em 2012, o seu primeiro álbum "O
Mistério", com temas originais.“Desde
2012 que me apresento ao público não apenas como intérprete, mas como
autora do repertório que canto. É uma nova faceta, um novo desafio”,
apontou.O
interesse pela escrita começou com um convite para integrar um coletivo
de criação de repertório, que aceitou por “curiosidade” e a partir daí
foi descobrindo “capacidades que desconhecia”.“Este ‘Horizonte’ foi um segundo passo, um reafirmar dessa necessidade que tenho de desenvolver uma linguagem própria”, disse.O
espetáculo mais recente de Teresa Salgueiro foi na Rússia, onde espera
regressar, mas o novo álbum já foi apresentado também na Macedónia,
Tailândia, Itália, Espanha e Brasil.O
novo trabalho tem tido “boa aceitação” do público, em Portugal e no
estrangeiro, e foi distinguido, em 2017, com o prémio José Afonso.“Foi
uma surpresa. Eu estava de partida para o Brasil, em outubro, e estava
já no aeroporto quase a embarcar, quando recebi um telefonema a dizer
que o disco tinha recebido o prémio”, recordou Teresa Salgueiro.